O brasileiro é resiliente?

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Resiliência é a capacidade de resistir ou superar obstáculos.

A máxima diz que o brasileiro é um povo resiliente, pois tem a capacidade de se reinventar. Afinal, “sou brasileiro e não desisto nunca” – pelo menos diz o comercial.

Balela. O brasileiro de hoje tem se mostrado reclamão, intolerante, sensível demais a críticas e um exímio acusador das falhas alheias.

Até há quem diga que esse perfil do brasileiro tenha surgido junto com as redes sociais. Não acho que tenha sido. Na verdade, as redes sociais apenas estão mostrando o que o brasileiro sempre foi, mas não tinha oportunidade de divulgar.

São horas a fio reclamando dos corruptos, do governo, do comportamento das celebridades, da falta de talento dos cantores, atores, etc. E quantos são os minutos por dia dedicados a mudar a sua própria realidade? Poucos ou nenhum.

Quem reclama não está feliz. Mas desde quando reclamar é instrumento eficaz para alcançar a felicidade? Pode até ser menos cansativo do que correr atrás do prejuízo, mas não resolve nada.

Por óbvio, não se está defendendo o caminho da omissão ou mesmo da ausência de comportamento crítico, mas sim um equilíbrio na equação que determina quanto tempo você gasta falando dos outros em relação a quanto tempo você gasta cuidando de si.

Vivemos numa sociedade mimada, ressentida e que não aceita a rejeição. Tudo é motivo para eleger um culpado. Sempre temos um bode expiatório para a nossa “infeliz realidade”. Não sabemos lidar com as frustrações e sempre colocamos nos outros a culpa pelo nosso fracasso.

Ocorre que somente NÓS arquitetamos nossa vida. Somos nós que tomamos nossas decisões na fase adulta. Só que como todo arquiteto, temos que trabalhar com os insumos que nos foram fornecidos. Se você foi agraciado ou não com os insumos da sorte da vida, isso é algo que diz respeito somente a você.

Se foi agraciado, ótimo. Se não foi, quem disse que o destino tem que ser justo com você? Aliás, diante disso, você pode até filosofar e ficar de mal com o acaso (ou com Deus, seus anjos de guarda, orixás, etc. Tem acaso para todo gosto). Mas tem a outra opção, que é assumir a falta de sorte e gastar o tempo da lamentação com a busca da solução é a saída mais inteligente (e eficiente).

O ser humano só tem duas opções para alcançar a felicidade plena: ser feliz com o que tem ou conseguir aquilo que almeja.

Ambas as escolhas são absolutamente válidas - e não são excludentes, já que você pode ser feliz com o que tem e, ainda assim, buscar o que sonha.

Só que diferença está na forma que você vai lidar com os problemas que encontrar. Diante de um obstáculo você só pode contorná-lo, pulá-lo ou destruí-lo. Reclamar que ele apareceu é o que mais vemos, mas não resolve nada.

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Rômulo Lunelli, desfragmentador de pensamentos e devaneios, procurador federal, compositor e músico por paixão, blogueiro Contextual.

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