Brasileiros em busca de estabilidade


Moro nos Estados Unidos há dez anos e conheço na pele as vantagens e as desvantagens de viver longe do próprio país. Após conquistar o visto permanente (green card), passei a prestar consultoria para quem sonha em se mudar para cá. E no contato com meus clientes, percebi um fato curioso: o perfil dos brasileiros que estão vindo morar nos Estados Unidos está mudando.

Antes, os brasileiros que aqui chegavam tinham um único objetivo em mente: trabalhar duro e aproveitar as inúmeras oportunidades do "american way of life" para crescer na vida e ganhar dinheiro para ajudar familiares no Brasil.

De dois anos para cá, no entanto, surgiu um novo grupo de candidatos a imigrantes. São pessoas do topo da pirâmide econômica, que já chegam aqui com a vida ganha, podendo comprar tudo do bom e do melhor. E apesar de poderem levar uma vida muito confortável no Brasil, eles desejam ardentemente começar vida nova no exterior. Não por causa do dinheiro, mas por terem fome de levar uma vida estável, segura e com melhor qualidade de vida, possibilitando um melhor futuro também para seus filhos.

Coincidência? Ou um reflexo da situação socio-político-econômica do Brasil?

Desde que economia brasileira começou a balançar, em 2011, o número de empresários brasileiros que tentaram um visto especial para investidores quadruplicou. A maioria dos meus clientes são pessoas das classes A e A+. São empresários, profissionais bem sucedidos, chefes de famílias e alguns aposentados. Todos querem se mudar para cá com as famílias, legalmente.

Se o esforço vale a pena? Vale! Hoje, os Estados Unidos geram 20% de toda a riqueza produzida no mundo, com taxas de crescimento econômico quase quatro vezes maiores que as do Brasil. Aqui, os índices de desemprego são baixos, e toda criança tem direito à escola pública e gratuita de qualidade. Para completar, não se vê tanta desigualdade social quanto no Brasil. Digo por experiência: nas escolas norte-americanas, os filhos de banqueiro estudam junto com os filhos do garçom. Juntos, na mesma sala de aula, eles aprendem uma lição valiosa: qualquer pessoa pode ser alguém na vida. Basta ser responsável e trabalhar por isso.

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Suzane Bacelar, correspondente Contextual Miami, empresária e consultora imobiliária e de imigração nos EUA, brasileira por nascimento e americana por opção (ou falta de opção no Brasil), mãe de Olivia, e sem medo de ser feliz!

#ContextualnoMundo #SuzaneBacelar

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