Samba da invisibilidade


Não sei o que mais me impressiona no mundo. Se a falta de ciência dos problemas alheios ou estar alheio a estes, mesmo tendo ciência.

Vivemos no mundo das desigualdades desde o início dos tempos. “Ó mundo tão desigual”, já cantarolava Gil na música que ironicamente se chama A novidade. Não me refiro aqui apenas às desigualdades econômicas entre países e pessoas, mas sim lato sensu. Temos, agora mesmo, ao nosso lado, alguém com carências nas mais diversas áreas. Temos os menos favorecidos em amor, em educação, em sonhos, em habilidades e, até mesmo, os completamente desfavorecidos de algumas destas imaterialidades, dentre tantas outras.

O que fazemos realmente pra ajudar os pobres que nos rodeiam? O seu colega pobre em beleza já ouviu a tua palavra encorajadora ou foi alvo de bullying? E o contemporâneo de faculdade que era pobre em conhecimento? Você o ajudou com os estudos ou esnobou-se com altas notas?

A diferença está em tudo e em todos. Nada é tão parecidoa outra coisa que não desperte a desigualdade ao ver. Entretanto, este mesmo desequilíbrio que cria, por exemplo, a inveja, permite nascer a coisa mais linda que existe na humanidade: a empatia.

Eu tento praticar o bem a todo tempo. Seja com palavras ou com atitudes simples; Seja com doações em dinheiro ou com um singelo sorriso a quem se entristece. Quem me conhece sabe que não sou de autopromoção, mas entendo que tudo que é bom deve ser difundido a ponto de ser exemplar. São tantas cenas e informações de calamidades e misérias que temos o dever de exemplificar a boa conduta, a prática do bem e o civilismo.

Impossível não falar no binômio riqueza-pobreza. Confesso que me sinto incapaz de ajudar ao próximo da mesma forma como o faço em meus sonhos. Imagino-me acertando as impossíveis dezenas da mega-sena e, daí, ajudando a toda uma comunidade que flutua à noite em palafitas. Utopia em duplo grau.

Faço meu pouco através de doações em pecúnia para, assim, amenizar a consciência e poder até escrever sobre o tema. Mas não com a força de uma madre Teresa ou de uma irmã Dulce. Não sou de Calcutá, tampouco um anjo bom da Bahia. Mas procuro, de tantinho em tantinho, me juntar aos que tentam igualar o jogo. Já doei para o Lar de Maria, para o Lar dos Velhinhos, para o Aristides Maltez e para a Santa Casa de Misericórdia. Doei para os desabrigados de Xanxerê ao Nepal. Carrego orgulhoso minha carteira de doador do Médicos sem Fronteiras. Não doo sangue por temer agulhas, mas todos os órgãos estarão, algum dia, disponíveis no banco nacional.

"A caridade deve ser anônima; do contrário, é vaidade" diz um provérbio judeu. Que me perdoe o judaísmo, mas discordo veementemente. Só a disseminação da idéia de que se deve amar mesmo os desconhecidos, de forma viral, pode tirar “de um lado a fome total” e transformar ambos neste carnaval.

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Robert Andrade. Blogueiro Contextual. Da advocacia um atuante, da engenharia um estudante, da marcenaria um hobista, do mar um surfista e da vida um amante.

#RobertAndrade

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