Tem dias que eu fico pensando na vida

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“A gente mal nasce e começa a morrer”, já cantava a dupla (não sertaneja!) Vinícius e Toquinho a música “Sei lá... A vida tem sempre razão”.

Arrisco afirmar que o tema da finitude da matéria humana é um dos mais debatidos desde o início da humanidade. Esse assunto sempre volta à baila quando um amigo está filosofando sobre o significado e objetivo da nossa vida, um ente próximo morre ou está com a saúde muito debilitada.

Para os espíritas, esses questionamentos são menos dolorosos e mais racionais, tendo em vista que sua doutrina prega que há vida após a vida, e não morte após a vida; que aqui estamos com o propósito de praticarmos o bem a nós mesmos e àqueles que nos cercam, com o objetivo de evoluirmos; que a vida é infinita, apesar do esgotamento dos nossos avatares terrestres.

Muitos céticos dizem não acreditar porque nunca viram espíritos, como se os cinco sentidos tradicionalmente estudados, em especial a visão, fossem perfeitos.

Causa estranheza que essas mesmas pessoas percebam e saibam que os cachorros possuem o olfato muito mais apurado que o nosso, que o fato de fumarem um baseado eleva a sensação do tato para níveis antes desconhecidos de sensibilidade e que o paladar de alguns consegue perceber com maior facilidade a composição de um prato.

Portanto, comprovações fáticas de que nossos sentidos são falhos, ou melhor, limitados. Então, porque os olhos deveriam nos dar visão além do alcance? Isso eu deixo para os Thundercats.

Se estivéssemos nesse mundo a passeio, curtindo apenas os poucos anos de vida que nos são dados, sem nada mais após a morte, qual a diferença da nossa existência para a de uma planta? Por que teríamos inteligência, sensibilidade, emoção, de jà vus? Por que tantos porquês?

Olhamos todos os dias para o céu estrelado e admiramos a beleza dos incontáveis astros sobre nossas cabeças, já sabendo que o nosso planeta está para o universo tal qual um grão de areia está para uma praia. Ainda assim, insistimos em afirmar que todo o universo foi feito só para nós, meros mortais cujas vidas terráqueas também representam um nada frente aos 4,5 bilhões de anos da Terra.

Há muito já se diz que o pior cego é aquele que não quer enxergar. Afinal, enxergar implica tomar decisões por vezes difíceis e ser por elas responsável. Muito mais fácil viver na fugacidade de 70 anos de vida do que na eternidade da lei de causa e consequência das decisões que tomamos. Enquanto muitos preferem o “sei lá, sei lá, vida é uma grande ilusão”, fico com meu “sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão”.

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Ana Carolina Villa-Flor Galvão é advogada, concurseira (e o que mais a vida mandar), inconformada, observadora do cotidiano e das pessoas e blogueira Contextual.

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