Carta à Madame


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Prezada companheira Dilma,

Perdoe-me pelo tratamento intimo mas o “companheira” é pelo fato de estarmos juntos nesse barco à deriva e sem rumo que é o Brasil. Desde logo quero dizer que nunca votei na senhora, mas como brasileiro e democrata que sou lhe reconheço como minha presidente ao contrário de muitos cidadãos. Por sinal, sou totalmente contra qualquer ideia de impeachment.

Venho por meio desta carta tirar uma grande dúvida que tenho acerca de sua coragem de enfrentar desafios. Causa espanto notar que uma pessoa que atuou na luta armada e na guerrilha tenha medo, tal qual um bebê que treme ao ouvir trovões, de panelas que somente fazem barulho e nada mais. Seu slogan na última campanha presidencial não foi “Coração Valente”?

Seguindo um raciocínio lógico, se não enfrenta o som metálico das frigideiras, como enfrentar os enormes desafios que virão nos próximos meses e anos, principalmente, na nossa economia? Como desafiará o clientelismo e o fisiologismo do nosso Congresso Nacional dominado por essa praga denominada PMDB? Toda a população, inclusive a grande parte que não lhe cedeu votos, espera que tenha forças. Mas, onde a senhora estava no Dia do Trabalhador?

Outro fato estranho é não ter aparecido no programa político de seu partido político. Não seria a senhora, como presidente do Brasil, o político mais importante do PT? Imagino que foi o medo do panelaço.

Onde está aquela energia para briga demonstrada nos debates eleitorais? Aquele “sangue nos olhos”?

Na Bahia há uma máxima que diz que “se não agüenta vara pede cacetinho”. O Capitão Nascimento diria “pede para sair 06!”. Não penso que seja o caso de renúncia mas de uma mudança de postura.

Um grande baiano, chamado Raul Seixas, escreveu um dia que tinha perdido o medo da chuva. Pois, eu acho que é hora da senhora enfrentar seus temores e encarar a população de frente e escutar suas demandas para que possa terminar seu governo com um mínimo de dignidade. O melhor é não fugir das panelas mas ir ao encontro delas e ouvir a mensagem que lhe trazem.

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Marcelo Brandão, empresário e sócio minoritário do Governo, não acredita mais no Brasil mas escreve com esperança de mudar alguma coisa, fundador e blogueiro Contextual.

#MarceloBrandão