Evolução?

evolucao.jpg

A coisa toda funciona assim: o homem precisa viver em sociedade, entretanto isto não seria possível se esta sociedade não impusesse regras ao próprio homem.

A melhor forma de entender esta simbiose é utilizando-se de um exemplo imaginário, o que faremos adiante.

Estamos agora no tempo das cavernas. Observamos, ao longe, um dos primeiros espécimes do homo sapiens e, apenas para avivar a história, vamos dar-lhe o nome de Kron. Imagine este ser grotesco, barbudo e fedorento, com os seus instintos e desejos completamente libertos. Mentalizou o quadro? Pois bem. Agora, vamos dar-lhe movimento.

O selvagem Kron está em busca de alimento quando é surpreendido pela imagem que parece ser de um animal igual a ele. Caído ao chão, agoniza ao lado de uma caça. Ambos estão feridos, um pelo outro, devido ao duelo natural pela sobrevivência. O nosso personagem se aproxima e, após breve análise, afunda a sua clava no crânio do seu par e carrega a presa, nos ombros, até um abrigo. Chegando lá, a esfola, enquanto uma mulher cuida para que o fogo não se extinga. Sabe ela que, antes que a carne doure, será atacada violentamente, em prol do prosseguimento da espécie.

Não há como vivermos felizes no mundo de Kron. Este ambiente é selvagem demais para nós. Não suportaríamos ver um matando o outro, por sobrevivência, afinal somos civilizados. De forma alguma aceitaríamos que a libido fosse desregrada, tratando-se as mulheres como uma carne ao fogo. As regras estão aí para que o mundo possa ser comunitário e para que possamos viver pacificamente, contendo os nossos instintos.

Mas chega de realidade! O nosso mundo imaginário estava muito mais legal!

Imaginem o quilômetro 57 da BR 324. Dia 03 de setembro de 2014. Aline Santos Moura, 7 anos, e Paula de Santos Moura, de 5, estão mortas. Seu pai, Jamilson S. Moura, 52 anos, luta pela vida preso às ferragens do veículo Corsa, cor preta, de placa KSL-0495. Acabaram de colidir com um utilitário que vinha em sentido contrário. Diversos carros, que ali passavam, pararam para que seus passageiros corressem até o local do sinistro. Estes não titubearam ao se deparar com o horror da cena e correram para os seus celulares, em busca do melhor ângulo de filmagem. A disputa era acirrada.

Brasília. 04 de maio de 2015. Uma jovem de 31 anos negocia com um taxista o valor do deslocamento até a residência desta, antes de ser violentada, repetidas vezes, de forma oral, vaginal e anal, durante quatro horas.

Não sei você, mas, quando lembro de Kron, tenho vergonha de mim.

-

Robert Andrade. Blogueiro Contextual. Da advocacia um atuante, da engenharia um estudante, da marcenaria um hobista, do mar um surfista e da vida um amante.

#RobertAndrade