Educar para mudar

"A educação é o maior patrimônio que possuímos". Essa frase não é novidade para muitas pessoas, assim como, a importância dada à educação pelos nossos governantes ao longo dos anos no Brasil. A idéia de escrever sobre um tema que ocupa os meios de comunicação há tempos, é corroborar com algumas afirmações e fazer com que esse debate, acerca da educação, se coloque sempre ao alcance de todos. Para construirmos uma sociedade mais justa, baseada em igualdades de direitos, de oportunidades e com mais solidariedade coletiva, devemos pensar, em primeiro plano, no processo educacional do país.

Um dos efeitos mais avassaladores para um país que não promove uma educação de qualidade para o seu povo é a segregação humana. Trata-se da completa demolição da noção de bem-estar social, pois, os pilares fundamentais de sustentação de uma sociedade civilizada - espírito de cooperação e participação ativa dos indivíduos - não se formam sem uma educação minimamente igualitária.

No Brasil, esse é um grande desafio para os gestores públicos, qual seja, o de promover um ensino de qualidade para todos, não importando a região, a situação econômica ou origens culturais. A tarefa não é fácil e mudanças profundas precisam ser feitas, a começarmos pela melhoria na qualificação dos professores, fiscalização e mudanças de paradigmas. Porém, precisamos dar o passo inicial para a irrupção do novo nesse processo de construção de uma sociedade melhor .

Vejamos o exemplo da Finlândia, um país que conquistou sua independência há menos de 100 anos, um país que até 1950 era eminentemente agrário, com baixos índices educacionais, onde a pobreza reinava e hoje ostenta um dos melhores níveis de renda e qualidade de vida do mundo. O que fizeram? Investiram no ensino público de qualidade, fazendo do país uma grande referência no campo do ensino público, conquistando quatro vezes o primeiro lugar no PISA (Programa de Avaliação Internacional de Alunos). Como fizeram? Na Finlândia, antes de aprenderem os conteúdos, os alunos têm experiências práticas que auxiliarão no seu entendimento futuro - aprendem os conceitos - e o professor é visto com respeito. Profissionalismo e responsabilidade envolvem a atividade docente, além do desenvolvimento humano profissional e um constante processo de requalificação avaliados frequentemente. Sem dúvida, os principais ingredientes de sucesso nessa receita finlandesa são, o foco na metodologia de ensino e o sistema de avaliação dos professores.

Mencionei a Finlândia como exemplo, mas há uma constante preocupação com o ensino público de qualidade nos demais países nórdicos. Na Suécia, há uma semana, minha filha de 2 anos e nove meses comecou a frequentar uma creche e logo notei a qualificação dos educadores. Os funcionários da creche passaram por treinamento em ICDP (International Child Development programmes) - Programas de Desenvolvimento Internacional da Criança. O ICDP é uma forma de atender as crianças com sensibilidade e interação, baseado nas próprias habilidades das crianças, suas próprias intenções, sentimentos e desejos. É assim que devemos cuidar desse patrimônio valioso, com a consciência de que o cuidado com a educação envolve todas as idades.

Mudando de continente, houve um fato inusitado nos EUA. A importância de se ter um corpo docente qualificado abriu um precedente histórico nos EUA há cerca de dois meses. Um juiz da Suprema Corte da Califórnia decidiu derrubar o direito de estabilidade profissional de professores de escolas públicas que não garantirem ensino de qualidade para seus alunos, apoiado no "direito constitucional de garantir ensino de qualidade" aos estudantes americanos.

Claro que as nações supramencionandas não são perfeitas, até porque tal desiderato é impossível. Todavia, são nações mais preparadas para o enfrentamento das dificuldades internas e globais que lhes são impostas constantemente, são sociedades civilizadas que valorizaram a educação. Esse é o caminho que desejo ao Brasil, o caminho da construção de uma nova sociedade por meio da educação, sob o prisma de novos valores e princípios, como a frugalidade, o espírito de cooperação, honestidade e confiança.

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Manoel Machado – Blogueiro Contextual, Advogado, cursou ciências políticas na universidade de Hayward, USA, colunista internacional do CAIB Brasil e atual diretor jurídico da empresa BBOSS Ltda.

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