Pais e Filhos ou Pais x Filhos?


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Há algumas décadas atrás, pais e filhos tinham uma relação completamente diferente daquela que se tem nos dias atuais. Existia um extremo respeito dos filhos para com os seus pais, principalmente com a figura paterna, na qual bastava um olhar mais intimidador para que o filho paralisasse na hora qualquer atitude errada do momento. Respeito e medo se confundiam nessa relação.

O papel que os pais exerciam sobre os seus filhos, fazia desses, criaturas subservientes, que nunca podiam manifestar qualquer opinião contrária à dos seus progenitores. Na maioria das vezes, para não dizer na totalidade, a educação das crianças cabia apenas à mãe e o pai exercia o papel de provedor da família, como também com ele estava a autoridade e decisões familiares. Diálogo não existia, compreensão, quase nada, manifestações de carinho eram restritas e raras. Neste cenário, meio tenebroso para os dias atuais, existia apenas uma hierarquia entre pais e filhos que era altamente respeitada, isso sim.

Com o passar das décadas, as relações familiares foram se estreitando e toda aquela rigidez foi perdendo espaço para o diálogo, compreensão e convivência permanente entre pais e filhos. O pai que antes era apenas o tal provedor, passou a participar bem mais da educação dos seus filhos, assim como a se interessar pelos seus anseios, desejos e particularidades. A mãe se tornou uma figura mais íntima ainda. Pais derrubaram a parede que os separava dos seus filhos. Claro que ganhamos com essa mudança comportamental, está provado que presença de pai é tão importante quanto a da mãe, o que contribuiu para a guarda compartilhada atual. Não raro, é possível presenciar pais em parquinhos, aniversários, reuniões de escola. Muito bom esse avanço do relacionamento dos pais (pai e mãe) com os seus filhos.

Todavia, em paralelo com essa mudança dentro da família, pagamos um preço.

Notamos uma certa perda de valores morais e respeito entre pais e filhos. Os pais se tornaram tão próximos dos seus filhos que muitas vezes perdem até a noção de que são pais e permitem que seus filhos ajam da maneira que julgarem melhor, tomando todas as decisões, quando muitas vezes não se tem a maturidade, experiência e a vivência adequadas para tais. E tudo isso para não contrariar a sua prole. Pais e mães, na busca de suprirem as sua próprias carências ou culpas, se submetem aos caprichos dos seus filhos e quando não, compartilham com eles atividades que não convêm com a idade dos pimpolhos.

Infelizmente, é comum presenciarmos filhos berrando com os seus pais, desobedecendo uma ordem dada ou negligenciando uma fala qualquer. Filhos frequentando bares, cinemas e shows que não são próprios para a idade, mas estão acompanhados dos seus responsáveis e isso basta. Acho que não basta.

Os pais perderam a sua autoridade e junto com ela o seu respeito, a sua experiência de pai/mãe e o seu maior bem: o exemplo. As crianças de hoje estão sem direção, sem valores, sem limites e de fato, sem educação de casa.

Tudo bem que não precisamos voltar ao século passado para se ter o respeito dos filhos. Poderíamos juntar o respeito daquela época com a amizade, o carinho e os diálogos do agora. Entretanto, parece que não temos essa fórmula pronta, por isso, acredito que se faz necessária uma reflexão constante sobre as atitudes comportamentais, de valores familiares, morais e educacionais entre pais e filhos.

Estamos assistindo uma inversão total de papéis na sociedade, na qual filhos mandam e pais obedecem.

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Érica Machado é mãe. Depois disso é dentista, esposa, filha, amiga e o que for preciso e blogueira Contextual.

#ÉricaMachado