Gerúndio da pátria filho


class-room-739180_1920.jpg

Uma das maiores provas que a educação no Brasil não vai nada bem é a utilização indiscriminada do pobre do gerúndio! Atendentes de telemarketing, encarregados de produção, supervisores de vendas, secretárias, médicos, advogados, administradores, entre outras tantas profissões, assassinam diariamente a língua portuguesa. Todos com graduações nos mais diversos cursos superiores, e mesmo assim agridem diariamente os ouvidos mais críticos.

“Amanhã estarei lhe enviando o relatório”;

“Próxima semana estaremos entrando em contato”;

“Nosso departamento comercial estará lhe enviando a proposta”

Onde está o erro no caminho acadêmico dessas pessoas que traz a resultados tão lamentáveis? A resposta é simples, não tiveram educação básica de qualidade, não tiveram acesso à leitura. E o que é pior, há alguns anos começou a ser vendida a idéia do acesso a universidade como se fosse a solução para todos os males educacionais desse país!

O brasileiro lê em média apenas dois livros completos por ano. E 75% da população nunca frequentou uma biblioteca sequer. É trágico!

O ex-presidente Lula adorava proclamar que tinha chegado à presidência sem ter estudado e que não gostava de ler. Ridículo! Péssimo exemplo.

Na posse da atual presidente, foi lançado o lema “Brasil, Pátria Educadora” e nada foi feito de concreto desde então. Por que?

Me pergunto se a falta de investimento em educação é miopia administrativa ou uma ação intencional e planejada.

Os governos insistem em associar investimento em educação à construção de escolas, quando o correto seria a filosofia do “menos é mais”. Melhorar salário dos professores, investir em sua qualificação e reduzir carga de trabalho são exemplos de medidas de simples implantação que fariam grande diferença na atual situação.

Acredito que a redução do currículo escolar, priorizando matérias básicas como português e matemática seria extremamente importante.

E claro, uma grande campanha nacional de estímulo à leitura, teria resultados fantásticos no futuro.

Nossa realidade é de um número cada vez maior de universitários que não sabem fazer conjugação verbal. Analfabetos funcionais, que não conseguem interpretar textos simples, com diplomas de cursos superiores. Surreal. Para onde vamos dessa forma?

Quem sabe os governantes brasileiros algum dia descubram que investimento em educação é, no longo prazo, o maior e melhor investimento que o país pode fazer para crescer. Nesse dia o Brasil vai melhorar, mas até lá continuaremos gerundiando.

-

Marcelo Brandão, empresário e sócio minoritário do Governo, não acredita mais no Brasil mas escreve com esperança de mudar alguma coisa, fundador e blogueiro Contextual.

#MarceloBrandão