Devolvendo a gentileza

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Hoje, finalmente, foi preso o delinquente que assassinou o jovem aluno na porta da escola. Paulinho era um menino meigo, adorado pelos amigos, que sonhava ser médico. Certamente teria um futuro brilhante se a vida lhe desse outra oportunidade.

Na verdade, Paulinho nunca teve muitas oportunidades. Sem nunca ter conhecido o pai, desde os 3 anos já acompanhava a mãe mendigando pelas sinaleiras da cidade. Aos 12 abandonou sua casa em virtude dos maus-tratos do padrasto. Foi quando conheceu o crack. O resto da história todos nós já conhecemos.

Alguns dirão que o Paulinho é fruto da falta de investimentos em educação. Outros atribuirão a culpa aos políticos corruptos. Os mais radicais terão certeza que só o maior rigor da polícia e penas mais duras poderão trazer soluções.

Tudo bem! Mas alguém sabe dizer quando conseguiremos isso? Acredito que a pergunta que precisamos responder agora é: o que estamos fazendo de concreto para mudar esse quadro?

- Ah, mas nós já pagamos os nossos impostos (ou parte deles), isso não é um problema nosso!

Desculpe amigo, mas é, sim. Você pode até não ser o (maior) culpado, mas esse problema é seu e continuará sendo dos seus filhos.

Não vamos esperar o dia em que irá nos sobrar tempo e dinheiro para fazermos o que é necessário, pois esse dia não existirá. Nesses “tempos de guerra”, distribuição de renda e solidariedade não são altruísmo, mas condição de sobrevivência.

Tic-tac tic-tac... Vamos fazer alguma coisa ou ficar esperando os “Paulinhos” devolverem a gentileza?!

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Albert Andrade é advogado, blogueiro Contextual e mais um que paga seus impostos, mas faz menos do que deveria.

#AlbertAndrade