#carlosalberto2018

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Nas eleições de 1959, o rinoceronte Cacareco recebeu cerca de 100.000 votos para vereador da cidade de São Paulo. O então presidente Juscelino Kubitscheck declarou: "Não sou intérprete de acontecimentos sociais e políticos. Aguardo as interpretações do próprio povo".

No pleito de 1988, o macaco Tião, morador do zoológico do Rio de Janeiro, obteve aproximadamente 400.000 votos para a prefeitura da capital fluminense. A candidatura foi uma brincadeira criada pela revista Casseta Popular em defesa do voto nulo.

No segundo turno das eleições presidenciais de 2014, o senador mineiro Aécio Neves conseguiu cerca de 51 milhões de votos.

Qual a semelhança que une os três casos, pergunta-me o atento leitor? Simples, boa parte dos votos não foi exatamente para os “candidatos”, mas contra a “situação”, como protesto, um pedido de mudança, de socorro. Afirmo, sem medo de errar, que, nas últimas eleições, a maior parte dos votos em Aécio foi contra o PT e não a seu favor, e, caso o saudoso Tião estivesse em seu lugar, teria quase a mesma votação.

E, o impaciente leitor me questiona, e daí? Daí que estamos a apenas 4 anos da próxima eleição presidencial, o Brasil precisa de mudanças urgentes e radicais, e nos faltam líderes capazes de assumir esta tarefa. Temos uma crise grave de liderança política, dentre tantas outras.

É muito preocupante, por exemplo, a omissão da senadora Marina Silva, que afirmou que não desistiria do Brasil ao final da ultima campanha presidencial, mas que não deu uma opinião nem sobre as graves denúncias de corrupção no governo federal e nem sobre os importantes debates políticos que vêm ocorrendo em 2015, entre os quais ajuste fiscal, reforma previdenciária, reforma política, redução da maioridade penal.

Será que nos próximos anos surgirá alguém com moral, coragem, personalidade, carisma e apoio popular e político suficientes para entrar nesta jornada? Ou veremos novamente os mesmos candidatos petistas e tucanos? Ou, pior ainda, o PMDB lançará uma candidatura própria? Pobre Brasil sem futuro!

E o quadro piora mais ainda em caso de impeachment; quem seria o presidente: Michel Temer, Renan Calheiros ou Eduardo Cunha? Ou talvez o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandoski? O momento é de terror e tristeza, prezado leitor!

“Mamãe não quero ser prefeito, pode ser que eu seja eleito e alguém pode querer me assassinar. Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz, não quero ir de encontro ao azar”, já cantou Raul Seixas em música que define o momento político atual do nosso país.

Entretanto como sempre há esperança, acabo de descobrir que o zoológico de Salvador tem um macaco novo chamado Carlos Alberto. Se ele topar, meu voto é dele!

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Marcelo Brandão, empresário e sócio minoritário do Governo, não acredita mais no Brasil mas escreve com esperança de mudar alguma coisa, fundador e blogueiro Contextual.

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