Vontade da saudade


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Adoro a saudade, meu cachorro e alguém lá na frente. A saudade é típica dos mamíferos, como na afeição dedicada ao homem, no caso do cão.

Sempre, em meus pensamentos, me paira a ideia que se mata a vontade, mas jamais a saudade. Gosto disso, amo a saudade, amo muito. Algo tão certo que parece ser pra sempre, seguro como uma paixão de adolescente, como se coubesse numa sacola de mercado. Provavelmente oriunda das naus portuguesas vindas pra cá, onde, distantes de casa, de todos, da perda de entes e das coisas, pessoas afloravam um sentimento com tanta personalidade que não há, em outras línguas, um significado tão relevante, como na língua portuguesa. Ah! Saudade. Para o Latim: "solitas, solitatis"; para muitos, nostalgia (quem sofre é o que fica a esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia); pra mim, desejo, vontade, saúde, eternidade.

A saudade deveria ser verbo, pra poder ser conjugado em todas as pessoas. Sinto saudade, mas sei que alguns humanos se abstraem deste sentimento.

A saudade tem cara, tem jeito, tem cheiro, tem a cor da minha liberdade - se pudesse não mataria nenhuma das minhas saudades, as colecionaria pra mais tarde, pra depois, pra agora, pra sempre.

A saudade é autêntica, e a autenticidade é solitária, assim acredito. Tenho saudade de tudo - de tudo que durou, de tudo que não durou, das coisas, daquilo, daqueles, daquelas, de todos - de todos os momentos vividos no tempo necessário pra ser inesquecível.

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Marcel Freire é casado com a música, amante da publicidade, apaixonado pelo surf e blogueiro contextual.

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