Que Brasil é esse?


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Não sou especialista em política. Não sei coisas, que muita gente também não sabe, sobre micro, quanto mais sobre macro política.

Não tenho opinião formada sobre tudo. Também não sei nada sobre o nada. E até quem diz que sabe e tem falado, ou não sabe e não tem pensado, desconfie.

Não imagino o que está acontecendo agora, entre golpistas convictos, ou entre situacionistas.

Entre feicibuquistas, não tenho a síndrome do opiniático. A boca que tudo fala e o olho que tudo vê.

Golpistas e redes de comunicação golpistas disseminam medo e teorias de tudo.

Situacionistas e redes de comunicação situacionistas disseminam contos de marketing e teorias de tudo.

Cada grupo polariza o olhar para a verdade do momento e um séquito de pessoas repetem os mesmo argumentos.

Uma batalha para convencer mentes que o mal está no poder e que não há mal nenhum em quem quer tomar o poder.

Gente muito inteligente e gente muito ignorante. Entre essas duas camadas, estamos nós, os meio-ignorantes-meio-inteligentes. Temos um contato aqui, outro ali, lemos um pouco, fazemos uma revolução a cada post e apenas nos solidarizamos com a revolução alheia.

A cada dia descobrimos o Brasil que nos convém. O Brasil do meu, mas não do nosso sonho. Nos tornamos individualistas, comodistas, superficiais, brasileitores de bobagens de um, ou de outro lado.

Nos apaixonamos por causas que duram somente minutos e segundos. Não (e talvez nunca) fizemos, fazemos ou faremos um esforço para entender a complexidade das lentas transformações de um lugar, de um povo, de uma nação, pois, em contrassenso, ninguém entende a sua própria.

Somos problemas que se arrastam e soluções que nunca chegarão. O discurso vazio, o ódio gratuito e o preço da vida.

O culpado da vez, o salvador da vez, a bola da vez, a matéria da vez, a polícia da vez, o assalto da vez, a cor da vez, o interesse da vez. Somos a vez, não a história da vez.

Não sei ser pessimista. Não sei ser otimista. Sei ser os dois. Então, não tô nem aí para um monte de gente que nunca esteve nem aí. Continuo acreditando em quem está e sempre esteve para além do seu umbigo.

Não acredito neste país de mocinhos, onde só se mostram virtudes, nem de bandidos, onde só se anulam valores. Acredito em um país de todos.

Não está difícil saber quem é quem, está difícil reconhecer que todos sempre fomos iludidos por nós mesmos, onde o que achamos que não presta, vive apenas fora de nós.

Para bom entendedor, meia palavra bastava. Agora parece que precisamos voltar a nos reconhecer em olhares e entrelinhas do pensamento.

Apesar de mim e de você, amanhã há de ser outro dia.

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Andrezão Simões é produtor artístico, radialista, administrador, terapeuta junguiano, maluco demais para ser comportado e comportado demais para ser maluco. Escolheu viver com arte, convidar os outros e ser blogueiro Contextual.

#AndrezãoSimões