Porque há sempre ganho nas perdas


Ganhar e perder fazem parte da vida. Não há saída. São duas polaridades de qualquer experiência. Não existe ganho sem que haja alguma perda e, igualmente, não há perda sem algum ganho.

Deveríamos conseguir ensinar isso às nossas crianças, ajudá-las a entender que, para alcançar algum objetivo, precisamos deixar outras coisas de lado e nos dedicar, focar na nossa meta e aprender que, quando perdemos, podemos tirar lições, nos fortalecendo sempre.

Ganhar nos enche de alegria, nos realiza, nos preenche... Ganhar implica satisfação de algum desejo, conquista de algum objetivo, alcance de alguma expectativa. Mas, para que isso ocorra, é necessário fazer escolhas, bancá-las e assumir outras perdas. Muitas vezes as crianças ganham o que querem, como se isso caísse do céu, com um passe de mágica.

Quando temos um desejo, um objetivo, devemos pensar nas estratégias para alcançá-lo e agir nessa direção. Essa aprendizagem pode começar desde muito cedo. Por exemplo, quando uma criança pede um jogo ou brinquedo que tem um valor maior para o poder aquisitivo de seus pais, esse é o desejo, que eles podem satisfazer imediatamente, ou podem transformar em um objetivo a ser conquistado. Eles devem ajudá-la a pesquisar quanto custa, onde vende mais barato e como conseguir essa quantia para comprá-lo. Pode ser juntando uma fração da mesada e/ou pedindo aos familiares mais próximos e, assim, comprarem o jogo desejado. Outro jeito seria por merecimento, cumprindo com as obrigações de aluno ou com as tarefas domésticas que lhe cabem e, no aniversário, ser recompensada. Dessa forma, os pais darão ao seu filho muito mais que um brinquedo, mas a possibilidade de aprender a planejar ações para atingir metas e objetivos e, com isso, construir uma condição interna de tomar para si a responsabilidade da conquista daquilo que deseja.

A vitória em competições, a passagem de um nível para outro em uma modalidade esportiva, a aprendizagem de uma língua ou de um instrumento musical, a aquisição de uma nota boa em uma avaliação, a vaga em um concurso deveriam ser experiências vividas com essa consciência. É preciso foco, planejamento, dedicação, esforço e responsabilidade para se ganhar o que se quer.

Igualmente as derrotas e fracassos podem ensinar muito, possibilitam aprendizados que favorecem mudanças e crescimento. Aceitar a derrota não é fraqueza, mas uma forma de se fortalecer para as novas demandas que virão. Pode ser sofrido, mas é um estágio passageiro. Se os pais aproveitarem essas experiências para ajudarem seus filhos a pensarem sobre as suas falhas e o que pode ser feito de diferente da próxima vez para que o resultado final seja o desejado, ensinando-lhes a assumirem a responsabilidade, a criança encontrará a oportunidade de construir uma crença em si mesma, a autoconfiança, um reconhecimento da força que pode ter e a consciência de que as suas ações têm consequências.

Na maioria das vezes, o que vemos são pais em busca de culpados pelos fracassos de seus filhos, responsabilizando terceiros pelo insucesso deles, tentando desesperadamente compensá-los materialmente a fim de evitar frustrações, negando-lhes a oportunidade de enfrentamento e de transformação.

Quando as crianças crescem ganhando tudo sem esforço ou merecimento e/ou quando perdem sem assumir as consequências das suas atitudes, pagam um preço alto e, na maioria das vezes, o desfecho não é nada positivo.

As conquistas revelam as virtudes, as capacidades, os talentos. Mas, por outro lado, as derrotas ajudam a construir o caráter e fortalecem a personalidade. O verdadeiro vencedor na vida não é o que ganha sempre, mas aquele que aprende a lidar com as frustrações e fracassos. O verdadeiro vencedor é aquele que não fica paralisado, lamentando-se ou procurando culpados, mas segue em frente, enxergando e construindo novos caminhos. Porque há sim sempre ganho nas perdas!

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Larissa Machado é psicopedagoga e educadora, apaixonada por criança e por tudo que diz respeito à infância e blogueira Contextual.

#LarissaMachado

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