Faxina geral no Brasil


Após anos surfando numa onda de bonança, o Brasil vive um momento de crise, mas não tão grave se comparada à de 30 anos atrás, em que nossos pais amanheceram em determinado dia sem dinheiro para comprar comida para os filhos pequenos, pois a poupança estava congelada ou, quando tinham dinheiro, não havia nem leite no mercado.

Todos os dias os noticiários nos reportam os números alarmantes de desemprego, que sempre são confirmados por amigos que vivem esse drama; o índice de inflação cada dia mais inchado e sem perspectiva de melhorias, o que sentimos cada vez que vamos ao supermercado comprar o pão nosso de cada dia; os dados alarmantes da violência são pornograficamente expostos e confirmados por relatos dos que nos cercam sobre os assaltos de que são vítimas.

Cada vez que encontro um grupo de amigos esse tema vem à tona, no mundo real ou virtual.

Porém, também percebemos que o estado de ânimo da pessoa com quem conversamos influencia no nosso bem estar: se nos encontramos com alguém que transpira alegria, saímos da conversa mais felizes, a demonstrar que os sentimentos e pensamentos são contagiantes.

Por isso, não podemos nos deixar abater pela desesperança que ronda nosso país.

Passamos por um momento de faxina geral no nosso grande lar, que é o Brasil. E, como tal, demora a ser feita, exatamente porque mexe com os esqueletos esquecidos debaixo dos tapetes, mas, sempre que é feita, deixa a casa com cheirinho de bom ar e móveis lustrosos.

Espanamos a poeira e quem tem alergia acaba sofrendo, para depois sentir-se melhor. Trazemos à tona a blusa preferida de anos atrás que não nos serve mais, mas que temos que doá-la, para renovarmos o guarda-roupa. Lemos aquela linda carta do antigo amor que tanto nos marcou, mas que temos que deixar ir, pois já há outra pessoa mais importante na nossa vida.

Esse é o momento de faxina geral do Brasil. Estamos colocando em xeque a promíscua relação entre política e negócios, que nos desvendam uma bilionária rede de corrupção, e que não mais se coaduna com elevados sentimentos éticos e morais que permeiam nossa sociedade.

Talvez algumas empresas acabem, outras diminuam de tamanho, alguns políticos não sejam reeleitos, certas pessoas troquem de profissão e outras mudem de país. Mas as peças serão reposicionadas. Novas empresas, políticos e profissões surgirão.

Estamos mostrando ao mundo que tomamos 7 X 1 no futebol, mas estamos dando de 7 X 1 nas empresas venais, nas instituições sujas e nos políticos corruptos que maculam nosso país. Todos estão vendo que, apesar de ainda engatinharmos em termos de democracia, sabemos fazer nossa lição de casa combatendo os males que estão, há séculos, arraigados. Isso atrai investidores, aumenta a oferta de empregos e eleva a autoestima da população. É cíclico.

Passemos por esse momento de crise como quem passa por uma faxina geral: sofrendo os revezes de quem tem rinite, mas está com o espanador nas mãos por um futuro melhor. Num passado recente, já saímos de crises mais complicadas, quando parecia não haver solução. Contagiemos o Brasil com nossas melhores vibrações de esperança por um futuro melhor! Com certeza, quase 30 anos depois, temos mais maturidade para sairmos do fundo desse poço muito melhor do que entramos.

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Ana Carolina Villa-Flor Galvão é advogada, concurseira (e o que mais a vida mandar), inconformada, observadora do cotidiano e das pessoas e blogueira Contextual.

#AnaCarolinaVillaFlorGalvão

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