Terra Arrasada


Que tempos são esses em que olhamos à frente e pouco vemos? Que dias são esses em que procuramos por nossos heróis e a mais nada encontramos? Que época é essa em miramos pra nós mesmos e a outros, que não nós, vemos ao espelho? Tempos difíceis, heróis mortos, e nós distantes do que um dia fomos dada a insensibilidade adquirida e a inocência sufocada pelo tempo.

Crise econômica. Crise política. Crise moral. Não são pequenas as crises com as quais nos deparamos nos tempos atuais. Pior que elas é a falta de perspectiva, o medo e a insegurança que engendram. Quanto mais lemos sobre o que nos cerca, mais incertos quanto ao roubo de nosso futuro ficamos.

Um dia houve heróis. Esses eram bravos cavaleiros na luta do bem contra a opressão de dominantes do mal. Alguns até tinham barba, e lutavam aos gritos por um país melhor. Hoje esses mesmos, acuados por escândalos e engordados pela corrupção e o tempo fogem, seja pelo corar de vergonha, seja pela auto-preservacao quando da mais absoluta indiferença quanto a própria consciência.

E os tempos seguem maus. Um corpo de criança - só 2 anos!!! - encontrado sem vida à beira da praia, em meio a um dos maiores movimentos migratórios de fuga de guerra dos últimos séculos, virou símbolo não somente de uma tragédia humanitária em escala global, como da mais absoluta indiferença de cada um de nós quanto aos demais, incapazes de diferenciar o horror de uma cena real da de um filme de segunda à noite. Alheios seguimos em nossas mazelas diárias, exclusivamente preocupados conosco mesmos, ainda que irreconhecíveis, perdidos em nossa pequenez.

É... estamos nos tornamos insensíveis e apáticos! E isso justo quando pelos avanços da tecnologia deveríamos sentir-nos mais próximos e conectados uns aos outros como jamais fôramos. Justamente no momento em que o acesso à informação deveria converter os povos em uma espécie de aldeia global supranacional, nos tornamos mais e mais individualistas, egoístas e alheios aos demais. Parecemos ter nos perdido de nós mesmos a alguns quilômetros atrás na estrada, outrora longa, do percurso de nossas curtas vidas.

Num tempo não tão distante a mensagem quanto ao amor ao próximo a partir da experiência da Fé pareciam ecoar de modo mais forte, claro e firme pelos quatro cantos. Tal mensagem jamais mudou e segue ainda mais atual, necessária e real. O que mudou parece ter sido a abertura que outrora tivemos e a indiferença quanto à possibilidade de uma experiência pessoal com Deus, sufocados pelos cuidados do mundo atual.

É bem provável que muito ao redor precise mudar. Mas pra que aspiremos tornarmo-nos parte dessa mudança, e não somente conseqüência, precisamos antes mudar a nós mesmos e voltarmos a sentir, a sonhar, a brilhar, a crer, a lutar. Terra arrasada por toda parte. Fato. Momento perfeito pra que se levantem não mais heróis, mas pessoas de carne e osso, cidadãos de um Reino maior, sensíveis ao próximo, com os pés na terra, e os olhos postos no Céu.

Se ainda dormimos, apáticos e alheios a tudo, despertemo-nos e disponhamo-nos de uma vez por todas. Vai alta a noite e vem chegando o dia. Basta! Hora de acordar.

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Bruno Frossard, e blogueiro Contextual, um curioso inquieto sobre temas que passeiam pela formalidade da política, a ortodoxia da economia e singularidade da fé.

#BrunoFrossard

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