Vida real - O Facebook que você não é

Certo dia li um texto que fazia uma analogia incrível do comportamento de uma pessoa comum no Facebook com seu dia a dia em avenidas e ruas reais, na qual passamos todos os dias. O autor tentava fazer novos amigos, e pra isso, saía curtindo o que as pessoas faziam, gritando “CURTI!” - e cutucava algumas delas.

Contava a todos em voz alta o que tinha feito, o que comeu, como se sentia, onde esteve, com quem esteve, para onde iria e o que iria fazer, todos os momentos bons que tinha vivido com amigos em comum e também com parentes.

Concordava com as atitudes e comportamentos de alguns que ali passavam, e discordava de muitos outros. Para estes, gritos de discórdia devastadores ecoavam no meio da avenida.

Assim, apesar de todo seu empenho para conseguir novas amizades, no seu saldo constaram apenas 3 seguidores - dois policiais e um psiquiatra.

Parece cômico, mas eu acho trágico.

Ora, se uma rede virtual é o reflexo da vida de uma pessoa, por que de fato não se pode fazer o mesmo com sua realidade?

Como diria o mestre Gilberto Gil - "o contrário também bem que pode acontecer". É, mas não ocorre.

A pessoa seria taxada de louca, ou coisa parecida, como no exemplo citado - uma pena, a relação entre os humanos poderia ser muito mais online no offline mode.

É no mínimo intrigante uma rede ser apenas a última gota que faz transbordar tudo aquilo que a pessoa já é, tudo que ela sempre carregou em sua personalidade, incluindo os seus mais ocultos pensamentos, dando-lhe apenas o start, a oportunidade de se mostrar, de expor todas as suas virtudes, fraquezas, vitórias, ser também o oposto em relação a muitos de seus comportamentos nas avenidas da vida real.

Incoerente alguém que diz: "se sentindo frustrada" para um milhão de pessoas, ache ruim que uma única pessoa lhe pare no meio da rua e pergunte: "como você está?" Estranho, não?

As pessoas mal aceitam que alguém lhe pergunte o nome. Vejo ai uma verdadeira pista de mão dupla, com uma vida azul e branca do "face to face" em relação a vida preta e branca do "tete a tete".

O comportamento e as relações entre humanos estão mudando, não sabemos mais se estamos online ou offline. Fato!

Estamos criando possíveis personagens de nós mesmos, a cada dia. Este aqui, por exemplo, pode nem ser eu escrevendo. Pense nisso.

A Matrix está ai.

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Marcel Freire é casado com a música, amante da publicidade, apaixonado pelo surf e blogueiro Contextual e tem um cachorro.

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