Minorias para que?


O brasileiro perdeu a noção da diferença entre abraçar uma causa e querer ser cool, pegando carona nas minorias.

Você abre o Facebook e todos defendem os homossexuais, os negros, os refugiados, o meio ambiente, os animais, etc.

Se revoltam com a matança cruel de bovinos e vão afogar as mágoas numa churrascaria.

O cara não sabe nem onde diabos é a Siria e os motivos da guerra que assola sua população civil, mas replica lá a postagem da CNN. Não conseguiu ler nem 30% da matéria (estava em inglês), mas tome-lhe compartilhar.

A diretora da escola resolve adotar “alunx” e “professorx” em prol da igualdade de gênero (criando uma gramática que só existe na cabeça dela), mas ela própria torce o nariz para o casal de homens de mãos dadas que vão buscar o filho adotivo na escola.

Falando nisso, aproveita e cria o “dia da família”, em substituição ao “dia dos pais” e o ao “dia das mães”, como se pai e mãe deixassem de existir só porque ela quis.

Admitir e respeitar os vários tipos de família é válido, mas ou a criança tem uma mãe e um pai ou ela tem dois pais ou tem duas mães (ou três, quatro, sei lá). Mas pai e mãe são figuras que existem, você queira ou não.

Então, não complique a cabeça da criança extinguindo o dia do calendário. Faça com que ela desde cedo saiba que na sua família existem dois pais ou duas mães e que no dia deles, a comemoração será em dobro.

Não queira achar que o que é frustrante para você deve necessariamente ser para ela. E, aliás, se o for, faça com que ela saiba lidar com as frustrações. Elas fazem parte da vida.

Antes de encher a timeline dos amigos com postagens eco-chatas sobre poluição e efeito estufa, compre uma sacola de pano para ir ao supermercado e não volte entupido de sacos plásticos.

Morgan Freeman, ao ser perguntado sobre o que achava do mês da consciência negra, devolveu a pergunta: “qual o mês da consciência branca?”. O ator foi enfático ao dizer que o racismo só deixaria de existir quando parássemos de falar dele, quando todos se referissem uns aos outros como seres humanos. Ele tem razão.

Deixar na pauta frequente dos holofotes os preconceitos da dita “maioria” contra a nominada “minoria” (e sabemos que a equação nem sempre é assim) somente aumenta o fosso da diferença fomentada pelo preconceito.

A vitimização não pode ser um caminho para o respeito. Soa mais falso do que o amor em um casamento arranjado, onde se acredita que vá se aprender a amar e, na verdade, o que se aprende é a tolerar.

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Rômulo Lunelli, desfragmentador de pensamentos e devaneios, procurador federal, compositor e músico por paixão e blogueiro Contextual.

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