Pela volta da Kombi do reggae


Sou frequentador da Fonte Nova desde 1981. Na minha adolescência e até o fatídico desabamento de parte da arquibancada que culminou na demolição do estádio, havia um ponto de encontro famosíssimo por lá: a "KOMBI DO REGGAE". Precursor do que hoje se convencionou chamar de "food truck", a Kombi era toda estilizada nas cores da bandeira da Jamaica, vendia uma cerveja geladíssima e desfilava um repertório musical muito bacana. Mas, mais do que tudo isso, a Kombi do Reggae era um obrigatório ponto de encontro de torcedores, tricolores e rubro-negros, mesmo nos BAxVIs, que transitavam na paz e semeavam alegria, mesmo após a derrota de um ou de outro time no clássico. Pois bem, ao contrário do que vocês estão imaginando, este texto não fala de futebol. Fala da perda da leveza em nossas vidas, da falta de paciência, da extrapolação exacerbada do politicamente correto que transforma tudo em dano moral, de estarmos cada vez mais distantes da construção de pontes de amizade, preferindo erguer muros de segregação e isolamento. Basta ver o sem número de mortes e lesões corporais por motivos fúteis que diariamente a imprensa nos “presenteia” nos programas - cada vez mais sensacionalistas - que servem como “digestivos” em nosso horário de almoço e jantar. E nem que você queira fugir dos horrores da TV aberta, estará salvo. Nas redes sociais, o grau de intolerância das pessoas já extrapolou os níveis mínimos de boas maneiras. A falta de bom senso está se tornando a regra no nosso dia a dia. Nesse tempo de intolerâncias cada vez mais latentes, de posições cada vez mais extremadas em assuntos ligados à política, economia, comportamento, religião, a quase tudo na verdade, precisamos de várias kombis do reggae para voltarmos àquele tempo em que a vida fluía com mais simplicidade e que as eventuais diferenças eram levadas de forma mais descompromissada, sem dogmas ou ideologias exageradas. Longe de querer voltar no tempo, o que desejo, realmente, é o retorno do abraço, da conversa fiada, da gargalhada bem alta, do respeito às opiniões em contrário, enfim, da inesquecível kombi do reggae.

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Luis Henrique Maia Mendonça - Advogado, admirador da vida e das amizades, amante da arte, apaixonado pela minha esposa, louco pelos meus filhos e blogueiro Contextual.

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