Se você estiver vencido, não vá ao Chalé

Desta vez, eu tive um tempo bom antes de mais um show, daí fui pra uma casa noturna chamada Chalezinho, um local bastante conhecido, diga-se de passagem, pela classe média alta de Belo Horizonte.

Chegando lá, através de um convite de uma amiga aniversariante me deparei com o segurança da casa me abordando.

- Boa noite. Já esteve aqui antes?

- Não, primeira vez.

- Documentos, por favor.

Entreguei a documentação (habilitação, no caso) mais o convite que recebi da aniversariante. "Seu" guarda olhou para meu documento e para minha cara, tipo cara-crachá, cara-crachá, durante quase um minuto. Quase rola um clima, confesso.

Não satisfeito com o crachá, ou com minha cara mesmo, sacou uma mini lanterna do bolso, daquelas que dizem que cega se mirar nos olhos, e apontou para o meu documento - ops! - quer dizer, minha habilitação, melhor assim, porque se cegasse meu "documento", eu ficaria puto e voltaria pro hotel. Não teria mais sentido algum sair à noite em um frio da zorra, sem "documento".

Mais 2 minutos analisando; acho que nem uma blitz da polícia Catinga em conjunto com a Polícia Federal com aplicação da lei seca inspeciona tanto uma habilitação.

- Sr. Marcel, sua habilitação está vencida.

Opa! Não foi surpresa alguma pra mim, pois estava aguardando a nova carteira chegar e já levava comigo os comprovantes de pagamento dos exames de vista, psicoteste e documentos do SAC, inclusive do saco que já estava começando a encher.

- Beleza, valeu por lembrar, mas está tudo encaminhado, estou aguardando a habilitação nova.

- Mas aí o senhor não pode entrar.

- Como não, “Seu” guarda?

- Está vencida, senhor!

Eu, sem entender nada, abri minha carteira e lá tirei todos os comprovantes, inclusive aqueles do saco cheio, achando que isso garantiria minha livre passagem para o tão famoso Chalezinho.

- Pronto, aqui! Isso me permite dirigir provisoriamente, até chegar a nova.

- Mas não te permite entrar aqui.

- Como não? Isso é uma habilitação pra dirigir e eu estou andando, né não?

Eu já estava me sentindo num daqueles carrinhos dos Flintstones, que só anda com empurrão dos pés.

- Mas não posso liberar alguém com documento vencido.

- “Seu” guarda, minha habilitação está vencida, mas eu não estou. Eu estou VÁAA LIII DO! Essa carteira serve pra dirigir e não para andar.

- O Sr. é da Bahia?

- Sim, por quê? Também não posso voltar pra lá de avião porque estou vencido?

Ele não dava risada de nada disso, já eu mesmo muito puto da vida, mordia os lábios.

- ”Seu” guarda, eu fui convidado para um aniversário e só queria entrar andando mesmo. Não sou daqui, vim de avião pra cá, não estou de carro, mas sei que até em uma blitz pesada eu passaria.

Olhando de novo pra mim fixamente.

Pensei... pronto, agora vai beijar, aquele clima chegou.

Fui liberado. Ufa!!!

Moral da história:

Se for para o Chalezinho, jamais beba lá dentro, pois sair de lá bebendo com certeza será mais difícil do que entrar sóbrio.

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Marcel Freire é casado com a música, amante da publicidade, apaixonado pelo surf e blogueiro Contextual e tem um cachorro.

#MarcelFreire

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