Na medida do impossível


NA MEDIDA DO IMPOSSÍVEL a gente tenta. Se desdobra ao máximo, se reinventa... Mas o tempo...

Assunto corriqueiro em todas as rodas de conversa, em cada encontro de elevador, passando pelo porteiro, na escola do filho, com o colega de trabalho:

" Não fui." " Não pude." "Não consegui." "Atrasei" "Não deu." " Não cheguei."

QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO COM O NOSSO TEMPO?

Kronos, o implacável, senhor do relógio, do calendário, da rotina, dos prazos... Ele pesa nas nossas costas, faz cobranças diárias... Os inúmeros "tem que..." , os cheklists e as lacunas por preencher... O ano já no fim...

Estamos sempre em falta. Na falta...Atravessamos o turbilhão cotidiano e seguimos muitas vezes esburacados, angustiados e com a sensação de insuficiência permanente.

Às vezes nem nos damos conta de como estamos angustiados, cansados, agressivos, impacientes. Na nossa impotência, ansiamos por uma pausa. Pelo minuto exato, oportuno, de alegria e qualidade.

Se vacilarmos, o vendaval nos engole. Ficamos enclausurados numa vida preta e branca, sufocante e sem sentido. Ratos de laboratório girando no mesmo lugar. E como anda taciturno o homem moderno!

Valorizar cada instante é preciso. O tempo Kairos nos impulsiona a agir, muda o nosso sentido interior para prestar atenção aos pequenos detalhes do dia-a-dia, visualizando o que realmente importa deixando de lado as cobranças neuróticas, fruto do orgulho, vaidade ou competição.

Re-Parar. Focar. Prestar atenção em cada tarefa. Fugir da pressa.

Há quanto tempo vc n contempla um por do sol? Ou se senta tranquilamente com um livro e uma taça de vinho? Beija seu amor longamente? Visita-lhe a alma, com frequência?

Essa é a ordem do dia.

Valorizar o instante vivido é preciso!

Equilibrar kronos a Kairos e sentir de fato a vida, apesar de tantas tensões e múltiplas exigências.

Quando no universo interior esses dois senhores fazem as pazes e dão as mãos, os segundos transcorrem não só como representações numéricas, se enchem de sentimentos e significados. Os intantes, ainda que não retornem, serão plenos e a felicidade encontrará o seu lugar. Conciliadas, finalmente, as batidas do relógio e as do coração.

" Mas não tenho mais tanta pressa. Comecei aprender a ser mais gentil com meu passo. Afinal, não há lugar para chegar além de mim. Eu sou o viajante e a viagem." Ana Jácomo

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Erica Sakaki, blogueira Contextual, vinhólatra, mãe, oficial de justiça, leitora compulsiva, apaixonada por gente, pela vida e pelas voltas que ela (sempre) dá.

#EricaSakaki

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