Por uma linguagem universal

A hierarquia social seja por divisão de classes, prestígio, ou até mesmo pela forma de se comunicar, sempre foi algo notório no mundo enquanto sociedade.

A busca pelo destaque social, faz com que as pessoas quisessem sempre se diferenciar das demais, fazendo prevalecer alguns aspectos, dentre os quais a forma de se comunicar, onde a linguagem parece seguir um padrão de “certo ou errado”.

As pessoas são criadas e induzidas socialmente, seja através da família, dos lugares em que vivem, dos meios de comunicação, a absorverem a ideia de que existem padrões estéticos ligados a uma forma “correta” de se comunicar.

Essa falsa impressão de certo ou errado acaba se traduzindo em um verdadeiro preconceito linguístico.

Como fala Marcos Bagno em seu livro “Preconceito Linguístico”: “Infelizmente, porém, essa tendência não tem atingido um tipo de preconceito muito comum na sociedade brasileira: o preconceito linguístico. Muito pelo contrário, o que vemos é esse preconceito ser alimentado diariamente em programas de televisão e de rádio, em colunas de jornal e revista, em livros e manuais que pretendem ensinar o que é “certo” e o que é “errado”, sem falar, é claro, nos instrumentos tradicionais de ensino da língua: a gramática normativa e os livros didáticos.” (cap. I, pag. 13).

Outra razão está baseada no ponto de vista etnocêntrico, onde toda e qualquer cultura tende a estranhar ou até mesmo a definir como erro, comportamentos e formas de se comunicar e de viver de outros grupos culturais.

Não há lógica que determine que apenas uma visão ou um lado esteja correto. Como destaca Norma Telles em seu artigo “A imagem do índio no livro didático”: “O etnocentrismo é encontrado, em diferentes graus, em todas as culturas humanas. Mas não é só o fato de preferir a própria cultura que constitui o que se convencionou chamar de etnocentrismo, e sim o preconceito acrítico em favor do próprio grupo e uma visão distorcida e preconceituosa em relação aos demais.”

Onde existe entendimento, existe comunicação.

“O serviço mais útil que os linguistas podem prestar hoje é varrer a ilusão da ‘deficiência verbal e oferecer uma noção mais adequada das relações entre dialetos-padrão e não padrão.” (William Labov, The Logic of Nonstandard English, 1969).

A linguagem está em constante evolução, devemos nos adaptar e aceitar as diversidades linguísticas e culturais.

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Marcel Freire é casado com a música, amante da publicidade, apaixonado pelo surf e blogueiro Contextual e tem um cachorro.

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