Chega de semi-deuses!

Tendemos a crer que o tempo a tudo prove, incluindo as relações e interações das pessoas, aprofundando raízes de forma gradual e longe da vista sob a terra. No entanto, nos dias atuais cada vez mais nos surpreendemos ao constatar que ainda que convivamos bem por anos com algumas pessoas, podemos não as conhecer em medida alguma.

Com a liquidez e superficialidade governando com quase onipresença todas as esferas, talvez estejamos cultivando tamanho enfoque em nós mesmos, que ao menor vento as relações caem por terra, restando somente um princípio de buraco, um tronco oco, e nada mais.

Nos últimos dias sentia haver perdido um amigo. Isso por meramente externar em uma linha algo que pensava relativo a política, um tópico sempre tão povoado por heróis mortos e ideologias fracassadas e vagas. Mas não se perde o que jamais se teve. Ou se um dia houvera tido, raízes jamais se formaram pra que por tão pouco algo assim ocorresse.

Da mesma maneira, cada vez mais casais parecem surgir para logo desvanecerem ao gosto do vento, das impressões e do momento. Ao menor problema o 'amor' se esvai. A fila, dizem, sempre anda. Mas será que tem de ser assim? Não seria isso sinal de alerta?

Vivemos em multidões de solitários. Solitários egoístas em busca de reafirmarem o que pensam, em busca do que acreditam ser melhor pra si, em busca do 'hoje', do 'aqui', do 'agora'. Todos sempre munidos com discursos e fotos sorridentes, mas com os corações nem sempre em mesmo estado. Mas será que há solução? Se alguma chance há, por que não tentar?

Baixemos nossa guarda. Assumamos nossa culpa. Peçamos perdão! Permitamo-nos chorar, gritar, sorrir, amar... Danem-se as convenções. Danem-se nossas opiniões! Elas aos poucos nos isolam, sufocam e matam.

Assumamos nossas fraquezas e não nos surpreendamos ao perceber não sermos os únicos a sofrer no mundo. Disponhamo-nos a doar nosso tempo, a emprestar nossos ouvidos e coração.

Morto o avatar de semi-deus que trajamos, perceberemos um mundo real, mais simples, e tão ou mais belo.

Nesse tal, o vento e o tempo já não mais governam.

Tomara.

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Bruno Frossard, e blogueiro Contextual, um curioso inquieto sobre temas que passeiam pela formalidade da política, a ortodoxia da economia e singularidade da fé.

#BrunoFrossard

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