O fracasso do outro ameniza o seu?


Se existir um grau de desprezibilidade do ser humano, podemos eleger aquele que se consola com o fracasso do outro como talvez um dos mais desprezíveis tipos de pessoa. E lamentavelmente, este é um comportamento que não é raro.

Desde o abutre que se alimenta da desgraça dos programas policiais da TV, até o vizinho que comemora a falência do outro, estamos falando, ontologicamente, do mesmo tipo de gente.

O ser humano perdeu totalmente a capacidade assumir o protagonismo da sua vida e de escrever, por suas ações, a sua própria história.

Grande parte das pessoas deseja para si uma boa condição de vida pessoal e profissional. Só que a preguiça de arregaçar as mangas e construir uma história de sucesso fez nascer uma legião de espectadores inúteis: assistem sua vida passar, esperando que o sucesso caia do céu e, ao mesmo tempo, assistem à vida do amigo bem-sucedido deslanchar, torcendo para que algum dia tudo dê errado para, só então, poder concluir: “adiantou o que se esforçar tanto?”.

No entanto, mal sabe que, exceto se estivermos falando de uma atividade onde duas pessoas disputem o monopólio de algo, o fracasso do outro não ajuda em nada a você conseguir o seu sucesso.

Rico que vai preso não torna o pobre menos pobre, a amiga que se separou do marido não torna seu casamento mais feliz e o vizinho que bateu o carro (culpado ou não) não faz o seu caminho para o trabalho ser mais seguro.

Portanto, poupe suas energias olhando menos a vida alheia. E se for para fazê-lo, o faça para vibrar com a vitória das pessoas, mesmo as que você acha que não merecem e as que você julga que têm sorte demais.

Não lamente a sua falta de sorte, trabalhe em dobro para compensá-la. Não vibre com o fracasso do amigo, acredite, isso não lhe torna nem um pouco melhor. Se já estava numa poça de lama, vai continuar a estar nela e, o pior, com um amigo a menos para te ajudar a sair.

Não julgue tanto, gaste esse tempo aprimorando suas habilidades e ajudando a vida a ser mais legal com você.

Não se sinta compensado, jamais, pelo fracasso alheio. Saiba que este é o tipo de sentimento presente no pior tipo de fracassado: aquele que além de estar na pior, não tem a menor noção de como achar a saída. Por isso prefere que o outro fracasse também para que ele não se sinta sozinho no mundo dos perdedores.

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Rômulo Lunelli, desfragmentador de pensamentos e devaneios, procurador federal, compositor e músico por paixão e blogueiro Contextual.

#RômuloLunelli

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