Retrospectiva Contextual: um brinde à vida!


Todo ano começa com votos de esperança e mudança. Esse não foi diferente. Ou quase. Começamos tudo aqui sob chuva – muita chuva – e com uma presidente reeleita em meio aos primeiros sinais de uma crise dentro do país e um massacre fora. É... não dá pra dizer que o tenhamos começado com o pé direito.

Mais adiante, veio a primeira ironia: universidades federais sofreram um drástico corte de verbas. O que já era trágico atingiria o tragicômico diante do slogan que fora anunciado no arriar das malas do segundo mandato: "Brasil, pátria educadora". Hã? Como assim, cara-pálida?

Cunhas, Dilmas, Renans, Azeredos, Bolsonaros, Del Neros e afins - são tantos! Multicores de interesses e concepções, com seus umbigos apontados para nossa esperança. Disparos certeiros em nosso estímulo cidadão, mas sabe-se lá a fonte de energia e inspiração, é preciso ter ação, ter reação... É preciso ter NAÇÃO.

Uma cultura que se delicia através do deboche alheio e chama isso de… alegria? Ou se delicia com discussão de superioridade chamando de inteligência? Socorro! O que estamos fazendo? Para onde vamos assim? Quando iremos perceber que individualidades e coletividades podem andar juntos? Somos muitos, somos diferentes. Mas o que nos faz iguais está bem aqui. Vivemos num mesmo lugar.

Falta rumo? Falta referência? Sumiu a bússola? Ninguém mais sabe o que é esquerda, o que é direita e o que é centro... Um país partido? Que partido? No Brasil não parece haver partido nem tampouco ideologia. Tem bancada. Cada qual bancada por gente sem escrúpulo que só pensa no interesse próprio.

O vestido é branco e dourado ou azul e preto? Foda-se. “Já acabou, Jéssica”? Foda-se. Fabíola não foi fazer a unha? Fo-da-se! Seriam esses fatos tão extraordinariamente marcantes para virarem memes e tomarem de assalto nossas conversas no trabalho, happy hour e manicure? Enquanto isso, lama em Mariana e mais areia movediça tomando as rampas do Planalto. Que País É Esse?!?

E se até aqui estiver achando o seu ano difícil, imagina o do Marcelo Odebrecht? Quem um dia pensaria ver o Brasil prendendo, por corrupção, dois de seus membros do clube dos bilionários? Sim, porque, além dele, o André Esteves também passou uns dias em Bangu. O ano mostrou que é possível combater essa praga, enraizada no país desde sempre, que é a corrupção. Falta muito ainda, mas, aos poucos, vamos melhorando.

Muda o curso, Brasil! E comecemos pelo simples: deixar de sujar o mar, a calçada, estacionar ocupando duas vagas, segurar a porta do elevador do prédio... Com pequenos gestos poderemos, finalmente, começar o combate à corrupção, tão generalizada e protagonizada não somente pelos encardidos canalhas pegos na Lava Jato.

Até aqui, sobrevivemos. Isso, apesar da dengue, zika e chikungunya... Caminhamos até este ponto, não porque combatemos a corrupção, a iniquidade, o terrorismo, a usura, a violência e todas nossas demais mazelas, mas sim porque preservamos a gentileza e a solidariedade.

A gente é um povo tinhoso, otimista! Fato. Há certa alegria teimosa dentro do peito. Tem o carnaval. Tem o futebol. Tem o funk. Tanto ópio para aplacar a nossa dor... A gente até se esquece e segue em frente, nada no bolso, saúde ruim, faltando emprego, educação, segurança, vergonha na cara. Mas vai, continua a andar. Ousadia aqui não falta.

Mas, e se mudarmos o foco? E se a gente pensar diferente? E se em vez de escassez, lembrássemos da abundância? E se nos contentássemos apenas com o necessário? E se fizéssemos um exercício diário de pensarmos em nós e nos outros?

Cuide-se! Isso é o que a vida está dizendo para nós. Comece por seus hábitos, contagie sua prole, influencie seu entorno. Defenda sem ofender, critique sem humilhar, respeite outras crenças. O segredo talvez esteja na conquista pelo respeito, e não pela imposição. E sem essa que esse papo é clichê ou demodé. A verdadeira construção nasce de dentro para fora, dos exemplos e das atitudes. Vá! E tem quer ser já! O futuro consiste em construir o ser civilizado e espiritualizado. Do contrário, estaremos contribuindo para formar uma sociedade doente onde todos nós, mais cedo ou mais tarde, adoeceremos.

São os últimos suspiros do ano. Por que então não fazer algo diferente, como nos atirarmos com todas nossas crenças, dores e mazelas... de paraquedas? A primeira e única vez que saltei de paraquedas foi incrível. Foi um salto no estilo linha estática: o salto é realizado sozinho, o tempo de queda livre é contado pelo comprimento da fita presa ao avião que abre o paraquedas automaticamente em até 5 segundos. Nestes segundos vivi literamente um blackout, para então o paraquedas se abrir, recuperar os sentidos, fazer os procedimentos de segurança e, uma vez tudo alinhado, seguir tranquilamente até o pouso, num momento único, com silêncio agraciado pelo frescor das nuvens, indo do medo à calmaria, do blackout à estabilidade, rumo a um pouso suave, a uma vida nova… De uma experiência solitária, uma analogia a ser seguida por todos os brasileiros. 2016, o ano em que o Brasil precisa saltar de paraquedas!

Será que as coisas que nos cercam podem por vezes nos deixar para baixo, atrapalhar nossos planos, frustrar nossos sonhos? Sim e não. Depende do quanto deixarmos que as coisas ruins entrem na nossa vida. Afinal, a chave da porta é nossa. Só nossa! Não que tenhamos de ser omissos quanto ao que acontece ao redor, mas é possível sim fazer nossa parte sem nos contaminarmos com o mau humor coletivo que por vezes nos cerca. Aproveitemos as oportunidades que sopram junto ao vento, e mudemos de direção, nos reinventemos, sonhemos e vivamos a parte boa que sempre há em tudo.

O sol está lá fora brilhando para todos. Abramos a janela! Deixemos que ele entre em nossas vidas e ilumine nosso olhar para outros horizontes. Façamos acontecer! Esqueçamos quaisquer mazelas. Nosso 2016 tem de ser mais um ano para pegarmos a vida pelos cabelos com paixão e beijá-la até tirar-lhe o ar. Afinal, somos nós os únicos responsáveis quanto ao que faremos de nossos dias à frente. E se formos fazer algo, façamos com paixão!

Que venha 2016! Um brinde à vida!

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Equipe Contextual

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