Ciclos

A gente fecha os olhos. Adormece. Cochila. Ressona. Gira o mundo numa rotação veloz. Imensurável. E quando desperta? Fechou mais uma etapa. Abriu novo caminho. A gente percorre devagar a estrada. Para. Olha pela janela. Rememora tudo o q passou Re (vive), Re (lembra). As pessoas que entraram. Transitaram. As que (nos) partiram. É uma riqueza tamanha. Uma tristeza tamanha. Uma euforia tamanha. A gente pensa no que fez, no que planejou. No que não chegou. Acertos, erros, medos, dúvidas. Certezas. Lágrimas derramadas. Pensa no prazer e na dor. No bem querer e no amor. Lá se vai mais um dia, uma hora, um minuto. E pensar q naquele segundo mudou tudo. Rodou a engrenagem; o que mais parecia certo e seguro se dissolve. Não somos donos de nada, em nenhuma instância. Vida e morte se misturam no instante de um suspiro. Amor e dor. Paixão. Dissabor. A gente enxerga um universo por dentro. E o infinito do lado de fora, ousado, nos acena. Pisca. Cheio de perguntas.Repleto de convites. A gente não sabe se fica ou se joga. A ousadia é grande. Mas a gente pondera. Estaca. Hesita. O grande lance é que é preciso seguir. Não tem como pedir prá parar e descer. Então, a gente caminha. É o jeito. Tudo perfeito, ainda que tropece. Ainda que se arrisque. Ainda q não pisque. E a grande beleza disso tudo, qual é? O mistério.

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Erica Sakaki, blogueira Contextual, vinhólatra, mãe, oficial de justiça, leitora compulsiva, apaixonada por gente, pela vida e pelas voltas que ela (sempre) dá.

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