E aí, Cheiro-Mole?!!!

Calma aí pessoal! Essa é apenas a forma como sou conhecido pelos meus amigos de infância. Antes que você me pergunte o que significa, eu lhe explico. Cheiro-Mole é aquela pessoa que nunca participa das coisas, não acompanha a turma, nunca topa participar de nada... Se você é um desses, então você é um Cheiro-Mole! Admito que o apelido se justificava, mas só uns 70%. Nos outros 30% eu estava sempre “colado com a galera”, como se diz aqui na Bahia.

Esse foi apenas um dos incontáveis apelidos que já tive até hoje. Se você me perguntar se eu ficava ofendido quando me chamavam assim, eu lhe diria que no início me sentia um pouco desconfortável. Mas quando as menininhas começaram a me chamar de “Cheirinho”, eu passei a fazer questão de ser chamado assim.

Isso é só uma história na verdade. Todos sabemos que na maior parte das vezes os apelidos sempre têm um tom pejorativo e algo ofensivo, chamando atenção para algum “defeito”, a fim de provocar a pessoa atingida.

O que eu quero chamar atenção aqui é justamente sobre a forma de encarar e usar isso ao seu favor. Quem nunca pôs um apelido em alguém, afinal?! Na realidade nós recebemos apelidos desde pequenos. Nossos nomes ganham as mais diversas, e algumas vezes impensáveis, abreviações. O que você acha de chamar Paulo de “Quinho”, por exemplo. Eu mesmo só falo o nome da minha filha Alice quando vou apresenta-la a alguém ou quando vou dar bronca nela. Fora isso é Lili, Li, Lica, Zoiúda...

Pra ser sincero, eu acho que ter um apelido é importantíssimo na vida de qualquer um. É como ter um codinome, estar engajado em alguma coisa, em algum grupo, alguma tribo... Goste você dele ou não. Se não gostar, a minha sugestão é que procure encarar com calma e inteligência. Quanto mais importância der e mais incomodado você parecer, maior será o número de vezes que você ouvirá “a palavra”.

O que é que eu chamo de agir com inteligência? Se for algo que chame atenção para uma característica sua que você não goste, tente ser um pouco menos severo consigo mesmo. Tente não se levar tanto a sério. Divirta-se com o que as pessoas esperam que você se incomode. Em pouco tempo, isso tende a gerar uma admiração nas pessoas que antes buscavam lhe ofender. Aquilo que era um apelido pejorativo vai ganhando diminutivos carinhosos, até se tornar o seu “nome oficial”, a sua identidade no grupo.

Eu sei que os bullyings de hoje em dia não têm a inocência e a pureza do passado, mas, na minha concepção, isso é muito mais do que encarar uma circunstância – é uma forma de encarar a vida!

Quando a vida lhe puser em uma situação difícil, manter a calma e trazer a situação para o seu favor é a melhor conduta. Se isso não der certo, então, avaliar a intensidade e as consequencias de um revide pode ser uma possível saída.

Por que raios eu decidi falar sobre esse tema, então?! Porque, de uns anos pra cá, percebi que meu nome era Fabio. Depois de velho as pessoas já não procuram lhe dar apelidos e você redescobre seu nome de batismo. Até dentro de casa eles vão desaparecendo. Como se diz por aí: você só sente falta de algo quando a perde. E eu confesso aqui. Sinto muita falta. Por isso, se quer me ver feliz, é só chegar e perguntar: E aí Cheiro-Mole?!!!

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Fabio Costa é médico de profissão, apaixonado pela fotografia e amante de viagens pelo mundo e pelo pensamento. Agora um humilde contribuinte blogueiro contextual.

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