Janeiro tinha cheiro de Hipoglós.

Me lembro quando Janeiro era o melhor e maior mês do ano. Não somente do ano que se passava, mas sim, de muitos outros, tantos outros, talvez décadas de outros, sei lá... Coisas boas passam tão rápido que a gente se perde. Minha casa, pai, mãe, irmãos, primos, primas, tias, tios, amigos, inimigos, vizinhos, avós, namoradas. Brasília. Todos convivendo os enormes 90 dias que tinha o meu Janeiro. Guaibim. Praia do Guaibim. The Neverland. A praia era tão grande, tão grande, que chegar até o seu final era o objetivo mais difícil entre os pirralhos de 9, 13, e outros de quase 30 anos. O verão neste lugar tinha 3 meses. Ué mas não continuam tendo? Sim, talvez, sei lá... Coisas boas passam tão rápido que a gente se perde. Pra mim agora só são 3 meses de estação, de calor, do tal aquecimento global, El Niño. Porque nesta época que me refiro era de ócio absoluto. As únicas contas que tinhamos era de quantos dias faltavam pra terminar as férias. Os únicos compromissos que tinhamos era de acordar 5 da manhã, comer um pão com Ketchup, passar 3 quilos de hipoglós na cara, bater na janela do vizinho, que era nosso melhor amigo e ir surfar. Ralação, tá pensando o que? Hoje acordo às 7h, tá muito melhor. Pessoas ficarão na lembrança e outros tantos continuam sendo lembrados todos os dias, toda hora, todos os minutos, agora. Sei lá... Coisas boas passam tão rápido que a gente se perde.

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Marcel Freire é casado com a música, amante da publicidade, apaixonado pelo surf e blogueiro Contextual e tem um cachorro.

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