A autenticidade é solitária


Escuto por aí que ninguém vive só, e que uma hora ou outra aparece alguém que nos complete: nós, que dentro de uma "normalidade"; seres compostos de pele, osso, orgãos, membros, tronco e 1 cérebro. Achar que outrém, também dentro da mesma lógica universal, de possuir as mesmas características físicas nos complete.

Ah não!

Quero alguém pra mim com 2 cérebros.

Tá, tudo bem: todos nós queremos outro alguém pra contar e vibrar com nossas vitórias, choramingar nossas angústias, torcer por nosso empenho, criticar nosso resultado e seguir.

Maravilha! Mas e se não aparecer, você não se garante?

Como já dizia meu avô: "não garante as calças que veste, capitão!?"

Será que não somos autênticos e livres o suficiente pra nos avaliar, nos conhecer, errar, aprender e assim mudar e melhorar a cada dia, até completar a nos mesmos, antes de colocar essa função pra outro?

Que dependência mais sem sentido. É realmente necessário ou nos ensinaram isso?

Tenho uma convicção de que nossa independência e liberdade vem sendo exercida há muito tempo deste o ventre de nossas mães: sair daquele local confortável e acolhedor é um ato insano, e é isso que te faz ter um atestado de autenticidade na cara.

Uma espécie de carimbo, com o slogan: "agora posso ser eu!"

Ser autêntico não significa ser auto-suficiente, ninguém é, claro. Mas ser solitário, também não significa ser só. Longe disso.

Solitude é a mandinga da coisa. O equilíbrio. O intervalo justo. É sua oportunidade de contemplar liberdade e silêncio. É a base da criatividade e da inovação. Ingrediente essencial.

Aproveite!

Isso não te coloca melhor nem pior que nada. Apenas te faz se enxergar. Se conhecer, se olhar, se tocar, se mexer.

Aproveite todas as relações pessoais para aprender. Seja ela qual for.

Mas garanta sua autenticidade, e deixe que a do outro também goze de sua própria liberdade.

Saber estar só é algo supremo, pleno. Poucos de nós conseguem, poucos se aguentam. Poucos ficam. Muitos pedem pra sair. Não é mesmo, Capitão?

"A solidão significa se abrir ao pensamento próprio e original"

Você não irá completar a ninguém se não se contemplar sozinho antes. Se preciso for, mude. Uma hora dará certo.

Se ame. Se valorize. Se ache.

Lembra da máxima do avião? "Coloque a máscara primeiro em você antes de pôr na outra pessoa". É isso.

Faça coisas que nunca fez sozinho. Tente. Se permita. Você terá momentos ímpares consigo mesmo. Não se torture, você não está só, terá você sempre ao lado. Aproveite a solidão para praticar algo, aprender, algo, um esporte, um instrumento. Tenha um hobby. Um cão. Uma saudade.

Se divirta. Chore. Sorria. Você é massa. Você é porreta.

A auto confiança não vem de autoajuda, e muito menos de seu zodíaco diário. A auto confiança vem da forma que você consegue se ver diante de tudo.

Você deverá se ver como sua melhor companhia. Fomos induzidos a não nos aceitar só, a ter medo disso, a achar que estar acompanhado é a crença mais correta a se seguir. Questione.

Sendo assim, reafirmo meu amor pela paixão. Piro nela. Acho-a autêntica, Paixão por qualquer coisa. Nela você se coloca 100%, sem esperar complemento de nada e de ninguém.

Sou apaixonado por muitas coisas: atitudes, olhares, cheiros, animais, esportes, pessoas. E é nesta última categoria que me incluo.

Como diz meu parceiro de palavras, Mário Garcia Júnior:

"...e logo agora quando me sinto mais eu, quando me sinto melhor, quando me sinto em paz. Me pego apaixonado: por mim."

Faça isso.

Apaixone-se.

Autentique-se.

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Marcel Freire é casado com a música, amante da publicidade, apaixonado pelo surf e blogueiro Contextual e tem um cachorro.

#MarcelFreire

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