Nada pra fazer


Ao acabar de assistir na TV as mais recentes notícias sobre os atentados em Paris, desci para comprar uma maçã na barraquinha de frutas. Como sempre o dono estava lá fumando seu cigarro de palha e acenou de longe ao ver minha chegada: “A maça está novinha, acabou de chegar”. “Valeu, obrigado”. Pela calçada de pedras portuguesas voltei comendo a maça e, para minha grande sorte, estava bem doce.

Subi ao apartamento onde moro e liguei a TV bem na hora que estava passando uma partida de tênis entre um tenista holandês e outro jamaicano. Estavam empatados em um set para cada. Estava chato. Assim decidi descer mais uma vez e fui à barraquinha de frutas e o dono estava lá parado no seu posto, fumando o cigarro de palha. Ele me viu e acenou de longe: “Outra maça?” Comecei a ficar aflito, não havia nada pra fazer e estava justamente indo fazer a mesma coisa de antes. Comprei a maça, mas dessa vez dei azar, não estava tão doce.

Subi de volta para o apartamento onde moro. Liguei a TV e o jogo de tênis continuava, agora com a vitória parcial do tenista jamaicano. Estava chato. Rapidamente, abri o computador e olhei para a tela em branco sem saber qual história iria começar a contar dessa vez.

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João Mendonça é blogueiro Contextual, jornalista e tem 39 anos. Sua diversão é fazer textos que contribuam para alguma coisa que ele não sabe o que é. O que ele mais gosta são as curtidas. Quando acontecem ele comemora como um gol do Bahia.

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