Ser ou não ser


Ser ou não ser, eis a questão.

Quão fascinante é a mente humana, não?!

Talvez já tenhamos passado dos 7 dígitos no número de estudos científicos e pesquisas que tentam esclarecer o funcionamento de tão fascinante órgão. Apesar deste imenso volume de produção científica, a cada dia que passa nos surpreendemos mais e mais.

O que dizer de todos aqueles que desafiaram tudo o que era considerado verdade absoluta, com teorias absurdas e que hoje se comprovam verdadeiras?! O que dizer daqueles que com suas invenções conseguiram mudar os hábitos e modo de vida de toda uma geração?! Na minha humilde mente só vem uma palavra: Fantástico!

Mas como médico, o meu interesse no cérebro é outro. Não sobre o seu funcionamento especificamente, mas com o que ele é capaz de fazer com o todo nosso corpo. Não deixo de surpreender-me a cada dia. Anorexia, bulimia, gravidez psicológica, depressão... Mesmo com todos os seus órgãos funcionando em perfeita harmonia, um simples comando defeituoso ou mal interpretado deste órgão pode gerar o colapso de tudo.

Você acha que virose é o diagnóstico feito em maior frequência nas emergências?! Errou. Ele perde de longe para o distúrbio neurovegetativo. O que é isso?! Na linguagem popular é o famoso “Piti”. Talvez essa seja a doença do século. Se você já foi em alguma emergência vai entender o que estou dizendo. Dor no peito, dor de cabeça, pressão alta, dores de estômago...

Tudo virou culpa do stress, da ansiedade e da depressão do nosso dia a dia. Talvez essa seja a maior causa de erro de diagnóstico nos nossos hospitais, mas não há como negar que em mais de 60% dos casos não há uma doença física.

Mas não há como atribuir toda a culpa a nós, profissionais da saúde. Ninguém tem noção das proporções que as doenças da mente tem gerado para cada indivíduo, para todos ligados diretamente a ele e até mesmo para a economia de uma nação. O consumo de antidepressivos, ansiolíticos, analgésicos e outras drogas tem crescido de forma assustadora.

Nos consultórios podemos constatar diariamente tudo o que temos feito com nós mesmos, com as nossas mentes. Como temos maltratado esse órgão capaz de coisas tão inacreditáveis. A quantidade de problemas e histórias trágicas que ouvimos nos nossos confessionários demonstram que nenhuma doença orgânica é capaz de sobreviver as nossas rotinas e tragédias pessoais.

Mas o final dessa história é sempre o mesmo. No final da consulta é sempre a mesma frase: Mas o senhor não poderia me prescrever um remedinho para dormir ou me deixar mais animado doutor?! E a minha resposta é sempre a mesma: O que você busca não está em um comprimido... Geralmente essa é a nossa despedida. Não sei o destino deles, mas geralmente terminaram nas mãos de outro profissional e de uma receitinha azul.

Pronto. Agora pode dar o seu piti a vontade.

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Fabio Costa é médico de profissão, apaixonado pela fotografia e amante de viagens pelo mundo e pelo pensamento. Agora um humilde contribuinte blogueiro contextual.

#FabioCosta

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