A morte sem poesia.


Eis o que pensa o dizer do certo que o incerto anuncia como quem não sabe, que no jazigo se aponta data tonta que quem morreu não prévia.

Saber tudo e saber nada, como no cabo de uma inchada, a verdade pudesse ser içada ao dono, um só senhor ? Que és tu, São ? Salvador ?

Se falas do medo em tudo ? Desprezo, vejo besteira, Viver assim é como vive a galinha chocadeira, que deixe de botar ovo, porque o destino é a frigideira.

Repara, escuta, crê, quem não olha além do próprio ego, nem o espelho vê.

Só não te perdôo por não saberes nada, pois quem supõe que prevê na razão própria, o fim da estrada, recebe a pá de areia, enquanto a vaidade vê a alma viva na carne sendo enterrada.

E em tua lápide fria, eu escreverei poesia, nela direi : eis que morre um alguém, que não sabia que a morte, por incompetência ou sorte, segue os critérios de ninguém.

Do nada que sou Doutor, lhe afirmo agora o que sei :

Enquanto tua razão questiona a própria questão, juventude escorre pelos dedos, das tuas mãos, onde serão penduradas rosas, canetas e papel.

E na caixa sem gavetas, lamentarás o tempo perdido e escreverá poesias... questionarás as causas primeiras e ultimas do universo, que num reverso, não voltará.

Perplexa perguntarás ao silêncio infinitamente vazio, que sem resposta te dará somente as costas:

Mas como posso ser morta se viva ainda estarei ?

Eu, em verso, responderei :

Quem mata o amor, morre.

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Iran Furtado é advogado, professor, surfista, tocador, blogueiro contextual, e vive de fazer poesia para duas filhas.

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