Amar

É bem comum se apaixonar na noite em que a noite nada prometia. A vida muda de uma hora para outra e entregar-se àquela pessoa que não se esperava conhecer deixa de ser uma opção para se transformar numa imposição irrefreável do coração. A vida muda de perspectiva e inaugura-se uma nova forma de admirar as nuvens espalhadas no céu com o olhar de quem está de pleno acordo consigo mesmo.

O despertar passa a ser não mais um esforço que se repetia contra a vontade e torna-se o início esperado de um novo dia totalmente aberto à vida. Levanta-se da cama como quem deixa pra trás rapidamente uma condição que não serve mais porque o momento do amor pede disposição e alegria. E essas sensações apoderam-se da alma sem que se peça, invadindo-a sem permissão e em completa sintonia com todos os sentidos.

O coração bate no peito uma batida ansiosa e urgente, desenhando o tempo todo a imagem daquele sorriso na imaginação e os sonhos de novos possíveis encontros não cessam de inquietar a vida antes tão previsível. Vida antes tão longa e tão chata que a excepcionalidade do encontro com o amor e sua verdade irrefutável é a regra. Onipresente, sem passado e apontada para o infinito.

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João Mendonça é blogueiro Contextual, jornalista e tem 39 anos. Sua diversão é fazer textos que contribuam para alguma coisa que ele não sabe o que é. O que ele mais gosta são as curtidas. Quando acontecem ele comemora como um gol do Bahia.

#JoãoMendonça

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