Wake me up when September ends


O olho piscou e o final do ano chegou. Foi embora o mês do desgosto. Ele foi tão longo que tive medo de acordar e hoje ser dia 32/8.

Setembro é a versão demo de outubro. Tudo se encaixa e se realiza em outubro...

Foi um ano de algumas turbulências, mas que se desenha com um final feliz. Um ano de aprendizados e de equalização da minha própria vida.

Aprendi que a dor é obrigatória, mas que o sofrimento é opcional. E que ser compreensivo não te faz compreendido.

Aprendi que a mão que afaga pode ser a mesma que afasta ou que empurra ao abismo. Que devemos lutar para que os motivos para ficar sejam sempre maiores do que os motivos para ir embora. Mas que se forem menores, que uma porta que se fecha pode significar mil outras que se abrirão.

Aprendi que a vida dá voltas e que eu posso ou não girar com ela. Posso andar em sentido contrário, posso acelerar, posso somente gravitar...

Aprendi que eu faço meu próprio tempo. Que a palavra firme de uma pessoa é sim a maior qualidade que se pode ter. Que o caráter é recurso cada vez mais escasso e que por isso tenho que reforçar ainda mais o meu.

Aprendi que ser leve ou pesado é uma escolha simples. Que a palavra que não se diz às vezes vale muito mais do que uma conversa eloquente.

Reconheci que o sofrimento faz crescer, mas que não preciso dele para viver. Quem quiser que escolha a dor, por predileção ao masoquismo. Prefiro o amor. É o que eu preciso.

Tive felicidades, realizações, grandes encontros e resgatei amizades sinceras. Tive arrependimento, alento e fiquei mais atento. Aprendi que posso ser menos objetivo e seguir minha intuição.

Aprendi que a derrota é minha e que a vitória é nossa. Que somar é sempre melhor do que dividir e que a culpa nem sempre é minha.

Aprendi que o doce olhar de uma menininha, que espera que você seja tudo para ela, vale qualquer esforço. Vale o sacrifício da própria vida. Que os amigos merecem meus esforços e que o fluxo da consideração nem sempre é de ida e volta.

Aprendi que quem chega é sempre bem-vindo a ficar, mas que devo um abono de permanência aos que estão comigo na estrada há anos. Os que eu conheço e que me conhecem profundamente merecem ainda mais valor do que o que eu costumo dar.

Aprendi que devo continuar a não frustrar as pessoas. Que sou responsável sim pela expectativa que crio e que isso não me torna invencível às decepções que me causam. Que este é o caminho mais difícil, mas que é o que eu vou continuar a trilhar.

Aprendi que tenho imã pra doido, que agora sou mais paciente e que posso ser ainda mais compreensivo.

Aprendi que música, vinho e um pouco de atenção não acabam com os problemas, mas podem fazer você enxergá-los sob outra perspectiva.

Aprendi que somos responsáveis por acolher quem (sobre)vive sem perspectivas, sobretudo se forem crianças. Que fazemos todos parte de um mesmo ecossistema, que só funciona de forma justa quando todos têm sonhos e perspectivas de vida.

Aprendi que a vida é como um rio, que só chega no mar porque faz curvas. Que o rio ensina, que um céu estrelado ensina e que um mergulho no mar ensina também.

Aprendi que posso dedicar uma lua a alguém sem que a pessoa saiba e que, de alguma forma, ela vai sentir. Aprendi que posso escrever ao cosmos ou lançar uma garrafa ao mar com uma carta dentro. Que posso dizer eu te amo a quem esteja dormindo e que isso tem sim muito valor. Aprendi que posso dizer eu te amo a todas as pessoas que quero bem e sentir a recompensa de um sorriso, ainda que ele não apareça no rosto.

Aprendi que palavras escritas e nunca lidas têm importância, que cartas não precisam de destino certo e que eu sou responsável pelo que e falo e escrevo, mas não pelo que os outros compreendem ou deixam de compreender.

Aprendi que, na vida, por mais improvável que se imagine, as coisas têm fim, quer você queira ou não. E que o fim às vezes é bom ou ruim; tudo é uma questão de ponto de vista. Tchau agosto.

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Rômulo Lunelli, desfragmentador de pensamentos e devaneios, procurador federal, compositor e músico por paixão e blogueiro Contextual.

#RômuloLunelli

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