FL(B)ORBOLETA


Era uma vez uma flor. Ela não era muito grande. Tinha cor clara, quase branca. A textura delicada, suave, mas não frágil...Sua haste não muito comprida. Um dia, ainda novinha, uma florzinha quase criança, veio um vento matreiro e brincou com suas pétalas, fez-lhe cócegas e espalhou seu pólen. Ela gargalhou e adorou aquele vendaval atrevido. Caiu de amores. Do seu canteiro, paradinha, via vento, via chuva, raio, tempestade, trovão, calor, brisa e o passar do Senhor Tempo, sábio, implacável, poderoso. Vinham beija-flores e outros passarinhos e ela suspirava com olhos de sonho, fixa pelas raízes que a prendiam naquela terra. A pequena flor amava mesmo as borboletas. Suas asas coloridas, multicores, furta cores... ah, como delirava a pequena e linda delicada clara-flor!!! Ela sonhava voar. Desejava bailar de mãos dadas com o vento faceiro, seu namorado. Queria conhecer outros jardins. E de tanto sonhar, a pequenina um dia, Nossa Senhora, sua madrinha, realizou-lhe o desejo: transformou a clara-flor, menina-flor , linda-flor em borboleta. E assim, depois de meses no casulo, a crisálida se partiu, e ela percebeu que as pétalas tinham virado asas. Mexeu-se com cuidado, intrigada e divertida. Testou assustada: podia voar!!! Que alegria, conhecer outras flores, plantas, beija-flores, passarinhos! Que felicidade brincar com as amigas borboletas, dando saltos pelo ar... Coração de flor também dispara. Ela olhou pela última vez o seu lindo jardim, onde morou por tantos anos e se despediu. Agora a menina-borboleta ia correr junto com o vento, dar-lhe as mãos apaixonadas, beijar a sua face inquieta para virar brisa, afago, suspiro, sorriso, ALÍVIO. Partiu. Ia namorar o danado do vento, embaixo da lua, por cima do mar, pairando no ar... e com ele morrer (florescer) a cada nascer de sol...

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Erica Sakaki, blogueira Contextual, vinhólatra, mãe, oficial de justiça, leitora compulsiva, apaixonada por gente, pela vida e pelas voltas que ela (sempre) dá.

#EricaSakaki

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