Pragmatismo


Desisto do pragmatismo e sucumbo às relações humanas.

Assassino a estratégia e entro em campo de peito aberto, pronto para ser alvejado. Respiro fumaça, poluição, lambo o pecado, flerto com o diabo.

Desisto do pragmatismo, salto rumo ao abismo, ponho pela boca as vísceras e implodo meu estômago.

Um estouro seco, tal qual bomba de nêutrons, sinto as veias que engrossam pulsando sangue quente e vermelho, os dentes que travam, um calor na nuca e os pêlos que arrepiam.

Mas a dor consome meus órgãos, me ataca os ossos, me faz contorcer e voltar à posição fetal.

Então esfrio meu corpo, seco minhas veias de novo e subo o caminho de volta.

Engano os demônios; principiantes. Calculo tudo como antes.

Chego ao topo, sinto o gelo de novo, a calma, sem medo.

Aqui me sinto seguro. Daqui só olho o abismo. Aqui respiro ar puro, do alto do meu pragmatismo.

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Rômulo Gabriel Lunelli. Canhoto, casado com o direito, amante da música e dando uns pegas na literatura. Cantor, compositor, instrumentista e fundador do projeto MWSA (Music, Wine and Some Attention). Pai apaixonado e procurador federal. Blogueiro Contextual.

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