A "Mayer" Culpa do Zé


Ontem a Globo foi pressionada por outras estrelas do seu elenco a jogar Zé Mayer aos leões, não sem antes fazê-lo passar um cheque em branco de indenização milionária e, o melhor, com o reconhecimento público - dele próprio - sobre o tipo de ser humano que é, "fruto de uma geração machista" (tadinho). Senhor Zé Mayer, educação não tem geração e suas qualidades enquanto ser humano não são negociáveis no tempo. É por isso que grandes mártires lutaram contra a cultura de uma geração inteira para, por exemplo, acabar com a segregação racial na década de 50 nos EUA, ou o apartheid - que durou até 1994 na África do Sul -, ou mesmo a discriminação contra as mulheres - que até hoje vigora na Arábia Saudita. Você não, senhor Zé Mayer. Você sequer foi empurrado por uma "cultura" a pressionar uma mulher a fazer sexo com você e nem tampouco a colocar a mão na genitália dela. Você não está no Líbano, no Egito e nem no Iraque. Você está no Brasil e em 2017. Então, não. Seus costumes não refletem a sua geração (e não ofenda a memória do meu pai, que era da sua geração e soube ensinar a seus filhos valores de respeito e solidariedade, que todo homem deve carregar consigo). Seus hábitos refletem o ser "humano" que VC é, escondido no seu apoio popular, na sua fama de galã (nunca entendi o porquê) e no seu salário milionário. O que você fez nunca foi feito pelos homens de bem da sua geração, nem naquela época e nem em 2017. E o que a vítima relatou não parece ser uma "brincadeira machista". Parece configurar sim um crime e um ato passível de responsabilidade civil também (indenização. E das boas). Odeio rótulos. Não sou machista, não sou feminista e não escrevo palavras com X no final. Sou apenas uma pessoa que respeita outras pessoas. Era só essa a sua obrigação (seja você de qualquer geração). E nenhum homem (muito menos você) precisa fazer o que você fez para conseguir sexo. Só espero que sua filha jamais tenha um colega de trabalho como você. Para concluir, apesar se tudo, digo que esse episódio me deixou contente. Contente em ver a coragem dessa garota anônima, que conseguiu mobilizar tantas mulheres famosas em prol desta causa, e contente por imaginar que tantos outros atores com "defeitos geracionais" como você vão ficar, a partir de hoje, com MEDO de serem jogados aos leões também. Que sirva de exemplo para todos os homens "da sua geração" e que o zé famoso tenha o mesmo tratamento de um zé ninguém pelo poder judiciário. Será?

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Rômulo Gabriel Lunelli. Canhoto, casado com o direito, amante da música e dando uns pegas na literatura. Cantor, compositor, instrumentista e fundador do projeto MWSA (Music, Wine and Some Attention). Pai apaixonado e procurador federal. Blogueiro Contextual.

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