Poema Azedo


Não gosto de rimas

Nem do uso de “tu” e verbos em segunda pessoa

Ando impaciente com poemas doces

Com paixões de mentira

Príncipes em cavalos brancos

Princesas puras e virginais

Quero um poema que arda

Que derrube castelos

Que me faça o obséquio de tocar fogo nas verdades ensinadas

Dispenso sua ironia, rapaz

Vê se me economiza

Detesto que me julguem boba além do provável

Ando sem saco para humores sarcásticos

Praquele cara que todos acham legal e engraçado

Não estou pra risos

Fechei a cara pro palhaço

Cultivo um pouco de raiva em terreno adubado

Com bosta

Combusta

Toco fogo no mar pra comer peixe assado

E não me venha com dengos

Não me venha com graças

Não estou comendo nada

Nem água

Hoje acordei azeda

Sem mel nem açúcar

Rapadura não é mole não

Azeda.

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Maria Angélica Pereira, mulher, Oficiala de Justiça, viajante do mundo e da alma, amante do riso, otimista incurável e blogueira Contextual.

#MariaAngélicaPereira

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