Foi nos likes da vida ou num bar em troca de pão

A espetacularização da vida sempre existiu. O que chamamos hoje de like nas redes sociais, desde os primórdios da humanidade, já se manifestava através de outras condutas de aprovação social.

Em toda a história da humanidade, o mesmo fenômeno se repete ao longo dos anos: a necessidade do ser humano de se destacar através da popularidade.

E essa necessidade parece ser a mesma, independentemente da época em que vivemos. A busca por popularidade não mudou. O que mudou foi o modus operandi dessa busca.

Na idade média, por exemplo, existiam os Nove da Fama, os cavaleiros mais populares, dignos de veneração pelo povo.

Hoje, nos negócios, a aprovação social significa um posicionamento diferenciado no mercado (se tanta gente gosta e elogia, o produto deve der bom mesmo). Já para as pessoas, a alta popularidade é um afago na autoestima, uma forma de curar a solidão, ou mesmo de amenizar a dureza implacável da finitude.

Recentemente, série Black Mirror, em um dos seus episódios, contou a história de um futuro próximo, onde os likes não somente representavam aprovação social, mas também compunham uma espécie de currículo da pessoa. As pessoas com mais aprovação (maior nota), tinham acesso a melhores empregos, descontos, promoções em lojas, etc. Já as com notas mais baixas, além de não fazerem jus a determinados benefícios, eram impedidos de acessar alguns serviços - restritos a pessoas de boa reputação (popularidade).

Na verdade, o que a tecnologia fez nessa obra de ficção, foi tornar mais prático o que sempre foi uma realidade.

Mas se hoje ainda não podemos dizer que uma pessoa tem acesso a um emprego melhor pela quantidade de likes nas redes sociais, podemos dizer, por exemplo, que o cachê do show de um cantor é maior quando ele vende mais discos (popularidade). Ou mesmo que um ator famoso dificilmente paga uma conta num restaurante. Basta tirar uma foto com o dono para colocar no mural da entrada (não ganhou dinheiro, mas deixou de gastar). Não estamos diante então do mesmo fenômeno?

A única diferença que podemos observar entre as épocas e seus estilos de medição de aceitação social é que, atualmente, a popularidade “genuína” tem diminuído em relação à possibilidade de falseamento da própria imagem. Desde uma empresa que torna um produto popular por campanhas de marketing e depois não oferece a mesma qualidade que parecia ter, até o cantor que corrige e modifica as vozes em programas de gravação e que não pode nunca fazer um show ao vivo, ou mesmo a mocinha que murcha a barriga e coloca uma selfie com cabelo de salão no Facebook, em busca de um pretendente que se atraia pela sua aparente beleza.

Em todos os casos, a busca por este tipo de popularidade é inútil, pois o que você oferece não vai se sustentar quando posto à prova da realidade.

Assim, resta inegável. A aprovação social sempre foi e nunca vai deixar de ser um instrumento de vantagem. Nossa sociedade está construída em cima destes pilares, quer você goste ou não. Você pode recusar a ideia e buscar um estilo de vida diferente (o que é uma decisão muito respeitável), ou pode fazer uso desse tipo de “benefício”, desde que o que você ofereça (no caso dos negócios) ou mesmo o que você aparente ser (no caso das pessoas), corresponda à realidade. O fato é que, a comprovação da ausência da genuinidade do que você mostra é muito mais desastrosa para o ser humano do que a própria falta de popularidade.

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Rômulo Gabriel Lunelli. Canhoto, casado com o direito, amante da música e dando uns pegas na literatura. Cantor, compositor, instrumentista e fundador do projeto MWSA (Music, Wine and Some Attention). Pai apaixonado e procurador federal. Blogueiro Contextual.

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