007: PEDI PRA PARAR. PAROU?


Na linha dos nossos não raros pensamentos dicotômicos, presentes nas reflexões de botequim, sobre os quais pairam as comparações a respeito de tudo o que é clássico na vida (Lennon ou McCartney, praia ou neve, vinho ou cerveja), apresento-lhes minhas predileções: McCartney, praia, vinho e Roger Moore.

Moore foi, na minha opinião, o melhor James Bond de todos os tempos. É lógico que a comparação que faço é entre Roger Moore e Sean Connery. Os outros sequer merecem entrar na disputa pelo primeiro lugar. Pierce Brosnan tem o garantido terceiro e o resto disputaria o título de estragadores da sequência, que foi inspirada na maravilhosa obra de Ian Fleming.

Na ordem cronológica dos filmes, interpretaram James Bond: Sean Connery (05 filmes); George Lazenby (01 filme), Roger Moore (07 filmes), Timothy Dalton (02 filmes), Pierce Brosnan (04 filmes) e Daniel Craig (04 filmes).

Sean Connery foi um 007 espetacular. Mas Roger Moore, na minha opinião, fez o que parecia ser impossível, que foi superá-lo. Ele conseguiu ser 10% mais irônico, mais sonso e mais divertido, numa dose exata para a missão de não somente dar continuidade ao personagem, mas de também ser mais atraente ao público do que o seu talentoso antecessor.

Moore deu conta tão bem dos 07 filmes que fez, que quando ele anunciou sua aposentadoria do personagem, me deu um frio enorme na barriga. Quem poderia pelo menos fazer metade do que Moore fez? Sim, metade estaria ótimo!

Veio então Timothy Dalton, que fez um Bond meia boca. Não desastroso a ponto de sepultar a série, mas a ponto de decepcionar os fãs, que quase estavam desistindo de ir ao cinema para prestigiar a sequência. Dalton durou apenas 02 filmes, quando foi acionado o ainda não aclamado pelo mercado, Pierce Brosnan, para que resgatasse a sequência não somente pela bilheteria do produto, mas também pela ironia e inteligência do personagem, já que Dalton ficou com fama de ter feito um personagem meio bobão e sério demais.

O que se esperava era que Brosnan conseguisse apenas chegar perto do que foram Connery e Moore. Mas ele superou as expectativas dos fãs e interpretou um James Bond quase tão bom quanto seus antecessores de sucesso. Foi inteligente, sensível, irônico e engraçado na medida certa, o que lhe rendeu a honrosa medalha de bronze no ranking dos atores de James Bond.

Ele deu conta tão bem do recado, que, novamente, os fãs da saga ficaram noites sem dormir quando ele anunciou que “Um Novo Dia para Morrer” seria o seu último filme da sequência. Algo nos dizia que uma tragédia estava por vir. E veio. Seu nome é Daniel Craig.

Craig conseguiu destruir o personagem. Ele interpretou um James Bond bruto, burro, vulnerável e mal humorado. Tudo o que o espião mais famoso do mundo nunca foi.

Desde o primeiro filme - “Casino Royale” -, a torcida de todos era uma só: aposente-se. A série foi perdendo expectadores e acumulando críticas. Craig foi um desastre para os fãs de James Bond. Ele simplesmente transformou o filme num thriller policial de Sessão da Tarde.

No entanto, para o alívio dos fãs, foi anunciado que “Spectre” foi o seu último filme.

Não sei se seria possível resgatar a série do limbo. O cinema mudou muito desde o primeiro filme (de 1962) até hoje. E a quantidade de acertos em relação à quantidade de erros (16 filmes bons contra 07 péssimos) é uma proporção muito perigosa para o conceito geral da obra. Talvez fosse melhor encerrar a sequência agora e ficarmos com as incríveis lembranças proporcionadas por Sean Connery, Roger Moore e Pierce Brosnan.

Para tudo na vida, há um timing para parar. E chegou a sua hora, 007. Parem agora. Não arrisquem mais e saiam quando ainda estão por cima.

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Rômulo Gabriel Lunelli. Canhoto, casado com o direito, amante da música e dando uns pegas na literatura. Cantor, compositor, instrumentista e fundador do projeto MWSA (Music, Wine and Some Attention). Pai apaixonado e procurador federal. Blogueiro Contextual.

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