@Saudade


(teclado em uma tarde de outono pelo Whatsapp)

Ele escreve:

saudade do seu rosto colado no meu!

da sua boca grudada na minha

do seu olho iluminando o breu

que me escurece neste dia sem tinta

posso transformar isso em poema?

você permite?

Ela responde:

melhor vc terminar o poema, pq se eu tentar, rs... sei lá o q pode acontecer! kkkk

Ele retruca:

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

então termine

adoro não saber o que pode acontecer

Ela revida:

oxe! vc pode sim! vc escreveu, é seu!

termine! por favor!

Ele nega:

não

agora faço questão que você termine

sem pressa

no seu tempo

Ela apela:

quase tudo que vc fala daria pra transformar em poema

Ele também:

você que me inspira

Ela assume:

tava abusando! ia ser mais um poema... comum... eu fico abusando, mas tô calma esses dias, rs...

e insiste:

escreva! por favor!

Ele dá de ombros:

já escrevi minha parte

agora é com você

Ela zanga:

oxe

nem venha

termine seu poema

Mas enquanto discutem, cada um está fazendo a sua parte.

Ele manda a dele:

Saudade do seu rosto

roçando no meu

da sua boca

bulindo com a minha

aguando nossas línguas.

Saudade do seu olho

iluminando o breu

que me escurece

em dias cinzas

sem música, poesia

ou tinta.

E arremata:

Ficou assim então

Ela revida:

Eu podia dizer da saudade

do seu rosto colado no meu

Ou da sua boca grudada na minha...

Eu podia falar

do seu olho iluminando o breu

que me escurece neste dia sem tinta...

Mas aí não seria eu...

Prefiro falar da saudade

Do seu corpo no meu,

Do que você me faz

Sentir e viver.

Dessa saudade que me move

Quando não estou contigo

E que, só de lembrar,

Me contorce o corpo

E os sentidos ficam

Todos à flor da pele.

Na verdade,

Prefiro calar

E guardar a saudade

Pra matar junto

Com a vontade

De você.

Pode ser?!

E assume:

não resisti, kkk

mas eu disse, tô calma, rs

Ele não resiste:

maravilhosoooooooooooooo

sensacional!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

porra, você me humilha!

e é lindo!

temos que publicar isso!

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Mário Garcia Jr. é blogueiro Contextual, publicitário, metido a cozinheiro, joga bola de teimoso, mas gosta mesmo é de escrever.